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Sugestões de Bravo! para ler

por Redação Carta Capital — publicado 14/08/2011 18h55, última modificação 19/08/2011 13h06
As dicas para leitura dessa semana são Rumo ao abismo? – Ensaio Sobre o Destino da Humanidade, do sociólogo francês Edgar Morin, e O Livro de Praga
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O filósofo, sociólogo, biólogo, escritor e crítico cultural francês Edgar Morin

Por uma nova consciência
Rumo ao abismo? – Ensaio Sobre o Destino da Humanidade

Edgar Morin
Bertrand Brasil, 192 págs., R$ 29

Na coletânea de uma década de artigos Rumo ao Abismo?, publicada há quatro anos na França e agora lançada em português pela Bertrand Brasil, o bem conhecido filósofo, sociólogo com formação em biologia, escritor e crítico cultural francês Edgar Morin, nome literário de Edgar Nahoum, de 90 anos, conta basicamente que, para resolver os seus problemas, os seres humanos não podem mais recorrer a nenhuma das duas estratégias por eles aplicadas  há séculos em situações de emergência social, política e econômica, mesmo porque a emergência agora é também ambiental. Nem a reforma nem a revolução são soluções hoje, ele sustenta. Só uma radical metamorfose, tal como a que a lagarta sofre para se tornar uma borboleta, poderá, a seu ver, salvar a humanidade.

Mais do que isso, Morin algo pressente que essa metamorfose já está em vias de se realizar, como verdadeiro processo biológico, mesmo astrofísico. Não à toa esse antigo membro do Partido Comunista Francês, agremiação da qual se afastou em 1951, e que se tornou um dos principais porta-vozes intelectuais do movimento estudantil de 1968, é ao mesmo tempo um pioneiro e um ícone das pesquisas multidisciplinares. Ele usa as ciências humanas e as ciências naturais para tentar demonstrar que o homem precisa desaparecer como ser prematuro parasitário de sua placenta, a Mãe Natureza, para emergir como um ser autônomo em plena maturidade. – Renato Pompeu

A urbe íntima

O Livro de Praga
Sérgio Sant’Anna
Companhia das Letras, 144 págs., R$ 37,50

O livro de praga, de Sérgio Sant’Anna, exibe o destino literário e geográfico do escritor carioca dentro do Projeto Amores Expressos, que levou autores a evocar o sentimento amoroso por diferentes cidades do mundo. As “histórias de amor e arte” de Sant’Anna recriam não apenas as belas paisagens de Praga, mas também as manifestações culturais de sua efervescência urbana.

Os contornos históricos são modelados pelo olhar da imaginação e a refinada arquitetura se redimensiona em insinuações eróticas.  As sete narrativas não excluem uma leitura independente, ainda que apontem para uma aventura metaficcional, revelada na trajetória do protagonista, Antônio Fernandes, também um escritor enviado a Praga para escrever sobre o amor. Cada encontro amoroso descrito remete a um jogo de erotismo e o contexto artístico, que acompanha cada uma das experiências passionais do personagem, parece ser o enlace transcendente perpetuado na memória.

Nos relatos, o corpo e a arte comungam e a ficção adquire traçados de sedução expressos em linguagem direta, também apurada. Ao longo da leitura, conhecemos a pianista que transforma o prazer da música em desfrute físico, uma atriz que desdobra seu poder de atração no corpo inanimado de uma boneca e, ainda, para os amantes da literatura, revela-se um “inédito” de Franz Kafka nas tatuagens de um corpo feminino. A arte e o amor, o corpo e o prazer se diluem nos relatos de Sérgio Sant’Anna, determinando inusitados limites que envolvem os encontros amorosos em uma cidade ao mesmo tempo conhecida e surpreendente. – Ana Lúcia Trevisan