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Sugestões de Bravo! para ler

por Redação Carta Capital — publicado 18/12/2011 11h08, última modificação 18/12/2011 11h08
Nesta semana, a reedição de jornais dos tempos da ditadura, uma obra de C.G.Jung e o Baile do Menino Jesus
opiniao

Os jornais Opinião e Movimento, vozes que não calaram

LIVROS

A força dos nanicos

Lançamentos recuperam a ação da imprensa alternativa

Por André Carvalho

AS CAPAS DESTA HISTÓRIA

Ricardo Carvalho
Instituto Vladimir Herzog,
188 págs., R$ 90

MOVIMENTO – UMA REPORTAGEM

Carlos Azevedo
Editora Manifesto, 336 págs.
(inclui DVD com as 334 edições), R$ 59

 

Resistir foi preciso. Mesmo sob constante ameaça de repressão, ser jornalista nos anos de chumbo foi tarefa encarada com dedicação, paixão e coragem por vários profissionais da imprensa alternativa, a chamada imprensa nanica. A despeito dos parcos recursos e do boicote de anunciantes, esses profissionais cumpriram papel de destaque na historiografia brasileira. Conforme nos mostra a história de Vladimir Herzog, o preço a ser pago muitas vezes era alto demais. Agora, o instituto que leva o nome do jornalista lança  As Capas desta História, em que traça um panorama histórico, do golpe à anistia (1964 – 1979), da imprensa alternativa, clandestina e no exílio que
não se intimidou e resistiu.

Organizado por Ricardo Carvalho, o livro apresenta jornais alternativos emblemáticos como PifPaf,
O Pasquim, Opinião, Movimento, Ex e Versus, ao lado de publicações comunistas, feministas, sindicais, operárias, estudantis, entre outras tendências. A lista de diários e semanários clandestinos
é enorme e entre eles os comunistas A Classe Operária, A Voz

Operária e Novos Rumos são representativos. No exílio, destaque para Frente Brasileira de Informações, liderada por Miguel Arraes.

Essa pluralidade de tendências e análises podia ser encontrada, em particular, em um relevante semanário.  O livro Movimento – Uma reportagem, de Carlos Azevedo, conta a história do jornal que nasceu de uma cisão do Opinião, resistiu à censura prévia e superou conflitos internos e dificuldades financeiras para contar a história da luta pela anistia, as conquistas das greves operárias do ABC paulista, entre outros temas “delicados” à época. Movimento circulou entre 1975 e 1981 e deixou um legado de 334 edições  digitalizadas e catalogadas em um DVD encartado ao livro, grande mérito desta edição.

 

Os diálogos internos de Jung

O LIVRO VERMELHO
O DRAMA DE AMOR
DE C. G. JUNG

Maria Helena R. Mandacarú Guerra
Linear B, 207 págs., R$ 40

Por Ana Ferraz

Durante quase cem anos, o livro em que Carl Gustav Jung (1875-1961) registrou uma torrente de imagens brotadas de seu inconsciente, ilustrado pelo próprio autor com iluminuras e em caligrafia gótica, permaneceu trancado num banco em Zurique. Em 2009, o Livro Vermelho veio a público, deixando em alvoroço a comunidade junguiana. Realizado entre 1914 e 1930, depois retomado em 1959 e deixado incompleto, o livro revelou-se crucial para a compreensão da obra do fundador da psicologia analítica. Temia-se que as imagens contidas no livro houvessem sido produzidas durante um surto psicótico. A origem de tal hipótese seria uma “alucinação” que Jung teve em 1913, na qual viu o mapa da Europa coberto de sangue. A eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914, apaziguou o psicanalista, que concluiu ter tido uma visão premonitória e não estar sob quadro psicótico. Ao analisar o Livro Vermelho, a psicóloga e psicoterapeuta junguiana Maria Helena R. Mandacarú Guerra depreendeu o que considera a essência da obra. A estudiosa reproduz trechos da biografia de Jung para alicerçar a tese de que a relação amorosa entre ele e sua assistente Toni Wolff, mantida por anos de forma paralela ao casamento com Emma Jung, foi o fator desencadeante das vivências narradas no Livro Vermelho. O encontro do amor e o conflito de Jung frente a esse sentimento seriam o tema central de todo o processo vivido pelo psicanalista, cujo resultado se deu na definição de conceitos essenciais da psicanálise.

Natal semPapai Noel

O BAILE DO MENINO DEUS

Assis Lima e Ronaldo
Correia de Brito
Objetiva, 60 págs., R$ 36,90

Por Celso Calheiros

O enredo é simples. Mateus e um grupo de crianças procuram a casa onde nasceu o Menino Deus. Quando a encontram, as portas estão fechadas. Por isso, brincam, cantam e dançam músicas da tradição popular: reisados e lapinhas, de origem ibérica, e maracatus, bumba meu boi e caboclinhos. A porta da casa se abre: Jesus, José e Maria aparecem e a comemoração continua. Depois de 28 anos de sucesso, O Baile do Menino Deus, de Ronaldo Correia de Brito e Assis Lima, com música de Antônio Madureira, volta às livrarias em nova edição com ilustrações de Flávio Fargas.

Brito gosta de dizer que a obra ganhou uma dimensão tão grande que se tornou “de domínio público com autores vivos”. Está entre as peças mais encenadas do País. As montagens têm como palco praças públicas, galpões, auditórios de escola, pátios de feira. Os pedidos para representar partem
de turmas de amigos, ONGs, comunidades pobres, grupos da terceira idade. “Até a tribo dos índios kanela, em Barra da Corda (MA), me pediu autorização”, conta.

Parte da popularização da obra ocorreu por causa da edição de 500 mil exemplares para o Programa Nacional da Biblioteca Escolar. O texto é encenado no Recife desde 1983. Há oito anos, o auto
de Natal passou a ser apresentado ao ar livre, no marco zero da cidade, com cerca de 300 artistas, entre atores, dançarinos, músicos e cantores. O público soma em média 60 mil pessoas
nas três apresentações. Nenhuma menção a Papai Noel, peru, trenó, pinheiro ou shopping center.
“É o Natal do nosso jeito”, reforça Brito. “Com gestual e linguagem cênica brasileiros.”

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