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Sugestões de Bravo! para ler

por Renato Pompeu — publicado 10/06/2011 20h35, última modificação 12/06/2011 10h50
O livro Liberdade, de Jonathan Frazen, que narra a história de uma família americana de origem sueca, está entre os destaques da semana

De expert a esperto

LIBERDADE

Jonathan Franzen

Companhia das Letras, 608 págs., R$ 46,50

Sem dúvida, o escritor americano Jonathan Franzen, 52 anos, autor do romanção Liberdade, passou de expert em obras artísticas experimentais para perito em marketing e esperto autor de best sellers com alguma qualidade literária, mas que lembram mais os romances do século XIX do que o vanguardismo de seus textos iniciais. Descendente de suecos, ele narra nesse livro a saga de uma típica família americana de idêntica origem, que passa do progressismo dos anos 1960 e 1970 para a aridez dos tempos atuais. Teve a sorte de ser elogiado em público pelo presidente Barack Obama.

Antes dos 30 anos, Franzen havia publicado uma obra vanguardista sobre a cidade em que viveu a infância, Saint Louis, discutindo por que ela passou de quarta cidade americana no século 19 para a 27ª atualmente. E, antes dos 40 anos, aproveitou a experiência de ter trabalhado num laboratório de sismologia para comparar em seu segundo romance as perturbações da vida de uma família com uma sucessão de terremotos. Aos 42 anos, lançou uma saga de família ainda de alto nível artístico, As Correções, mas deu um formidável golpe publicitário ao rejeitar a indicação para o clube do livro da famosa apresentadora de televisão Oprah Winfrey, alegando que sua obra não era popularesca. Com isso, o livro vendeu como água.

Para Liberdade, que vale mais como documentação social das desilusões americanas do que como obra de arte, ele usou novos truques publicitários. Publicou desde 2009 excertos do livro em revistas de prestígio, leu trechos em conferências, discutiu o romance em programas de televisão, permitiu o lançamento de uma versão não definitiva do texto na Inglaterra, depois conseguir a sua retirada das livrarias. Finalmente, lançou o livro no segundo semestre do ano passado... e logo depois deu uma sensacional entrevista em que criticava os Estados Unidos como “país bandido”, como também, desta vez, aceitou sem mais problemas a inclusão de seu romance no clube do livro de Oprah Winfrey. Quanto a Liberdade, vale a pena ler para sentir como veem o mundo agora os americanos que lutaram por grandes mudanças décadas atrás. – RENATO POMPEU

Para sofrer a vida

MINHA MÃE SE MATOU SEM DIZER ADEUS

Evandro Affonso Ferreira

Record, 128 págs., R$ 27,90

O romance do escritor mineiro Evandro Affonso Ferreira Minha Mãe se Matou sem Dizer Adeus apela a uma composição discursiva que beira o hermetismo, mas isso não diminui o impacto que o enredo provoca.
O texto discorre sobre uma dor do passado que ressurge em novas imagens e frases entrecortadas. Vida e morte alternam-se como temas e a compreensão de uma e de outra só encontra respaldo nas páginas do “texto-palavra-pacto”, construído ao longo da história. O narrador-personagem é um octogenário que pressente o fim da vida e relata a história pessoal intercalando o tempo presente com suas amargas memórias. Em um café, observa o cotidiano e escreve sua reflexão. O mundo no qual está submerso é alheio a suas mágoas e, nesse espaço de indiferença, surgem lembranças da infância e do suicídio sem explicação da mãe. Este é o núcleo ao redor do qual gravitam reflexões sobre a nulidade da vida e a esterilidade do futuro. O romance chega a ser tortuoso, difícil no seu percurso e, nesse sentido, talvez se aproxime da representação do sentimento diante da morte e do suicídio. – ANA LÚCIA TREVISAN