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Sugestões de Bravo! para assistir

por Orlando Margarido — publicado 03/09/2011 09h28, última modificação 03/09/2011 18h33
Histórias de amor, uma passada na Segunda Guerra Mundial e a outra na era do amor virtual, além de um filme sobre a vida de Nelson Leirner são os destaques da semana

Artista de si mesmo

Assim é se lhe parece
Carla Gallo

A visão despretensiosa e bem-humorada com que Nelson Leirner lida com o significado de sua trajetória artí-stica é alcançada ao final do documentário Assim É se lhe Parece, em cartaz. Na abertura de mais uma de suas exposições, ele declara à câmera preferir acompanhar pela televisão o jogo entre Corinthians e Vasco em lugar de atender
a seus convidados.

O partido espirituoso de seu ofício ocorre aos 79 anos e depois de fazer valer uma carreira de impactos na arte brasileira. O filme de Carla Gallo aborda alguns, como o questionamento feito por ele ao Salão de Arte Moderna de Brasília por aceitar seu porco empalhado. Era 1967 e Leirner iniciava um conceito de happening voltado à crí-tica.

Esses momentos de ousadia perpetrados pelo Grupo Rex, que integrou, são tratados por ele com ironia e sentido corriqueiro, justificado por seus trabalhos e na maneira como os constrói. Exemplo são as instalações com personagens pop e da religiosidade brasileira adquiridos no comércio popular. Leirner cria assim sua figura simpática em um meio de tendência arrogante.

Não se vê aqui com clareza a herança de um filho de escultora, Felicia Leirner, e pai ligado à gestão de museus, Isai, preferindo-se o perfil curioso de um frequentador de musicais desde a infância nos Estados Unidos. O legado não é desprezí-vel num artista preocupado também com o aspecto formal, notável nas homenagens a Lucio Fontana.

Relações extremas

Medianeras – Buenos Aires na era do amor virtual
Gustavo Taretto

Presente no mais recente Festival de Gramado para a exibição de Medianeras, o ator protagonista Javier Drolas comentou ter sido objetivo do diretor argentino Gustavo Taretto trabalhar os extremos das relações amorosas em tempos de solidão. Uma dessas pontas é a representada pelo subtí-tulo adicionado ao filme que estreia nesta sexta-feira 2. Buenos Aires na Era do Amor Virtual desvenda parte do que está na trama de dois jovens da capital argentina que não se conhecem, Martí-n (Drolas) e Mariana (Pilar López de Ayala, de Lope), mas vivem cotidiano similar na vizinhança. Ele é designer de websites e utiliza a internet para bate-papos. Mariana decora vitrines, busca o computador como refúgio e lá esbarra no nome de Martín.

Como a pretensão aqui não é estudar a fundo a natureza humana, mas sim tratá-la pela comédia leve e inteligente, o espectador imagina o destino reservado ao casal. O curioso é que Taretto, que já havia experimentado a história em um curta homônimo de 2007, apela em outra ponta ao meio analógico, por assim dizer, do lúdico jogo Onde Está Wally para explorar com simpatia a ideia da modernidade feérica das metrópoles e seu contexto impessoal. Medianeras diz respeito a um reverso dela de que mal nos damos conta ao vislumbrar as fachadas dos altos edifícios. Ideias interessantes que ajudam a sustentar a simplicidade na qual está estruturado muito do cinema argentino atual e que levou o filme a conquistar o principal prêmio do júri do evento gaúcho.

Um eterno romântico

Esses amores

Claude Lelouch

Em seu novo filme, o francês Claude Lelouch, que por 50 anos derramou o romantismo na tela, dá ao espectador mais uma dose dele. Nunca talvez como antes, o que pode levar os aficionados a considerar Esses Amores seu melhor trabalho e os detratores, com raí-zes na nouvelle vague, ao desprezo imediato. O apelo desproporcional está nos amores da parisiense Ilva Lemoine (Audrey Dana), que atravessa a Segunda Guerra, no advogado que se torna pianista e conta em flashback o drama de Ilva,
a quem defende da acusação de assassinar o marido. Ela herdou do pai, dono de sala de cinema, a paixão pela arte. Pela vida dele, implora a um oficial nazista e torna-se sua amante. As tragédias buscam a emoção do espectador.
Para Lelouch, este é seu novo Retratos da Vida, com a música sempre presente e a autorreferência.