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Sugestões Bravo! para ver

por Orlando Margarido — publicado 24/09/2011 09h20, última modificação 27/09/2011 16h45
Dentre os filmes em cartaz, a seção Bravo! desta semana destaca Família Vende Tudo, de Alain Fresnot, Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra, e o 5º Festival de Cinema do Oriente Médio, em São Paulo

FAMÍLIA VENDE TUDO
Direção de Alain Fresnot

Família vende Tudo, diga-se logo, tem proposta inicial mais ambiciosa do que poderá cumprir nas telas a partir de sexta 30. Nesta comédia de status dramático, como requer o diretor Alain Fresnot, o clã central depende financeiramente da venda dos produtos trazidos pela personagem de Vera Holtz, a mãe, do Paraguai. Muamba, no dizer popular. Na volta de uma dessas viagens, a mercadoria é apreendida e com ela se vai o dinheiro necessário, por exemplo, para que o marido (Lima Duarte) quite uma dívida. Não será o filho, futuro pastor de igreja, a colaborar na mudança de sorte. O jeito então é apelar a Lindinha (Marisol Ribeiro), filha com desenvoltura suficiente para atrair a atenção de um cantor brega (Caco Ciocler), quem sabe disposto a pagar pela prenda.

Narrado assim, o quadro pode sugerir um panorama dedicado a atrair boas risadas e satisfazer uma das premissas básicas do cinema. A diversão talvez se garanta, e ao menos foi assim para a plateia do Festival do Recife deste ano. Mas a direção aspira a mais e procura a crônica social e o debate de questões como ética e moral numa determinada fatia, se não todo o bolo, de uma classe de brasileiros de dura lida na sobrevivência. Fica a desejar nesse caminho, da mesma forma que na regularidade da trama. Mas ressalve-se que não se acomoda em certa pasteurização do atual humor na produção nacional e se esforça pelo autêntico, ainda que tipos e situações, algumas testemunhadas pelo elenco no exercício da profissão, possam sugerir o contrário.

TRABALHAR CANSA
Direção de Juliana Rojas e Marco Dutra

Uma das condições notáveis de Trabalhar Cansa, com estreia apontada para sexta 30, é se apresentar como um objeto estranho na atual safra do cinema nacional. Com uma abordagem realista, o filme da dupla Juliana Rojas e Marco Dutra parte para a construção de uma trama de acontecimentos triviais, a exemplo da viabilização de um negócio próprio e da perda do emprego, com recursos de gênero fantástico no limite do terror. O cenário em que essa mescla se desenvolve é o pequeno mercado aberto por uma dona de casa (Helena Albergaria), projeto coincidente com a demissão do marido (Marat Descartes) da empresa onde fazia carreira. Não fosse suficiente esse monstro assustador do desemprego para a classe média, o casal será afetado por fatos inexplicáveis tanto no novo empreendimento familiar como em casa.

É com essa aparente inadequação entre o partido real e a fantasia que os jovens diretores jogam todo o tempo, experientes talvez mais na condução do suspense e do horror testada em curtas-metragens anteriores. Por que, embora a direção seja segura, em especial de atores, o entrecho de desenvolvimento da ideia central surge menos eficiente que sua apresentação e o clímax. Este chega elaborado por coroar com um elemento ainda mais incômodo o crescente mistério, baseado no que está oculto e não exposto ao entendimento. Na conversa com CartaCapital no Festival de Cannes, onde o filme participou da seleção Um Certo Olhar, a dupla condicionou seu interesse mais à experimentação de gêneros do que a uma ambição de crítica social. Mas esta talvez seja o melhor saldo do filme.

5º Festival Cinema do Oriente Médio
CineSesc e Galeria Olido, em São Paulo
De 29 de setembro a 9 de outubro

O cineasta israelense Amos Gitai diz que o tema dos conflitos em sua região não é dos mais apropriados a diretores estrangeiros, algo a ser verificado durante o 5º Festival Cinema do Oriente Médio. Entre os 27 filmes de nove países exibidos a partir do dia 29, comparecem títulos em que realizadores locais captam as transformações sociais e políticas em curso. O mais exemplar talvez seja 18 Dias, histórias da revolução no Egito num curioso trato ficcional. Também foi essa a opção em O Artesão, sobre um fabricante de bombas no Iêmen. Mas os documentários são maioria, como o curta Ajuste Final, do iraniano Reza Haeri, que vem a São Paulo apresentar a investigação da moda em seu país. O americano Julian Schnabel traz em Miral versão novelesca da trajetória real de palestina que salvou crianças de massacre acolhendo-as num orfanato.