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Livro e CD

Sugestões Bravo! para ouvir e ler

por Redação Carta Capital — publicado 29/01/2012 08h33, última modificação 29/01/2012 08h40
Leia a crítica dos CDs Liebe Paradiso e Diálogos de um Chorão e do livro O Cemitério de Praga, de Umberto Eco

Travessia sobre o abismo

 

Gêneros produzem ortodoxias e tribos xiitas. Chorões, por exemplo, costumam ser refratários a misturas. A audaciosa proposta de Diálogos de um Chorão é abrir conversações do estilo ancestral com outras latitudes estéticas. O disco reúne o veterano violonista sete cordas Valter Silva (acompanhante de Nelson Gonçalves a Zezé Motta e parceiro recente de Yamandú Costa), o bandolinista Henry Lentino, do grupo de nome autoexplicativo Tira Poeira, e o baterista Diego Zangado, de formação sinfônica e atuações com o grupo Casuarina e Francis Hime. A triangulação, munida de programação e efeitos, resulta numa viagem acidentada por percursos inéditos aos ouvidos adestrados no choro. Como nos solavancos funkiados de Saliente, de Jacob do Bandolim, ou no tempero caribenho adicionado a Naquele Tempo, de outros ícones, Pixinguinha e Benedito Lacerda. Túmulos revirados? Nada disso. O virtuosismo não é estrada de mão única, como demonstram o rebordado baião Poromandinho, homenagem de Lentino ao músico Armandinho, e a simulação eletrônica da ensaboada Espinha de Bacalhau, de Severino Araújo. Há momentos nostálgicos em Diálogos para um Mestre e no solo vocal seresteiro de Valter Silva no samba-canção Risque. Mas novos sobressaltos à zona de conforto ocorrem nos meandros de gafieira do sincopado Batendo a Porta e nos alucinados breques de Linha de Passe vocalizados pela italiana (sem sotaque) Cristina Renzetti. No final, o pancadão funk sacode a fusão Valter no Pop com o forró Feira de Mangaio, numa travessia sobre o abismo entre extremos apartados por preconceitos. – TÁRIK DE SOUZA

 

A salvo no paraíso

Em 1997, Ronaldo Bastos e Celso Fonseca lançaram Paradiso, considerado por Bastos um divisor de águas em sua carreira, um disco que finalmente se encontrou com sua voz. Transcorridos 14 anos, a dupla, que já completou três décadas de união, decidiu “refazer” o CD. Colocar o anterior “no osso” e insuflar nova vida. O resultado é Liebe Paradiso, um agradável misto de simplicidade e sofisticação. “Nos jogamos no abismo e saímos vivos”, avalia Bastos, o inspirado compositor que já nos anos 1960 compunha com o Clube da Esquina músicas que marcaram toda uma geração. Agora, a viagem sonora, que levou três anos até estar finalizada, também reserva lindas surpresas, como a faixa Ela Vai pro Mar. Com a suavidade habitual, Luiz Melodia, um dos convidados especiais, canta a beleza da garota que “leva um segredo e um maiô lilás”. E Nana Caymmi derrama poesia em Flor da Noite. São múltiplos os talentos emprestados a este novo projeto: Adriana Calcanhoto, Sacha Amback, Márcio Montarroyos, Milton Nascimento, Kassin, João Donato, Paulo Miklos, Sandra de Sá, Marcos Valle, Nivaldo Ornellas, Robertinho Silva, entre outros. Como o próprio título do CD sugere (liebe, em alemão, refere-se ao amor, ao querer bem), o projeto resulta de arrebatamento apaixonado dos envolvidos. Os produtores Duda Mello, carioca, e Leonel Pereda, uruguaio, se empenharam na tarefa de desconstruir o Paradiso original, escapar do formato tradicional e mergulhar no que definem como um “som tridimensional”.  O resultado não podia ser melhor.- CAIA AMOROSO

Delírio erudito

 

Alguém que se dedique com amor à semiologia não tem, geralmente, o objetivo de se tornar celebridade. Se o talento vier acompanhado do trabalho como bibliófilo, filósofo e linguista, então se tem um belo professor universitário. A menos que o caso em questão seja o de Umberto Eco, o maior fenômeno do século XX de êxito de passagem da cátedra para o topo das listas dos livros mais vendidos do planeta. Após jejum de sete anos, o autor de O Nome da Rosa, entre outros, volta com O Cemitério de Praga.Simone Simonini, protagonista e único personagem fictício da história, é um inescrupuloso falsário a reivindicar autoria de um documento que faz parte da história real da humanidade: os protocolos dos sábios de Sião. Nestes, a descrição de uma reunião de rabinos no cemitério de Praga, no século XIX, com o intento de destruir a fé cristã. Uma bem urdida trama de complôs, mortes, satanistas e sociedades secretas. – ARAÚJO LOPES

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