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Sugestões Bravo! para ouvir

por Redação Carta Capital — publicado 21/01/2012 09h21, última modificação 21/01/2012 16h08
Nesta semana a coluna destaca show em homenagem aos 100 anos de Luiz Gonzaga, além do novo álbum do músico pernambucano Siba Veloso
Luiz Gonzaga

Brtilho Eterno

Nova vida ao rei do baião

Danado de Bom - 100 anos de Luiz Gonzaga

Auditório do Ibirapuera, São Paulo

 

Luiz gonzaga, o rei absoluto do baião, completaria 100 anos neste ano. O autor de clássicos como Asa Branca, Baião, O Xote das Meninas e tantos outros morreu há 23 anos, mas seu legado permanece. Neste sábado 21 e domingo 22, um grande show em homenagem a Gonzagão será realizado no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo.

Sob direção artística de Maurício Tagliari, Danado de Bom – 100 anos de Luiz Gonzaga reunirá Tulipa Ruiz, Lulina, Nina Becker, Bruno Morais, Passo Torto, Blubell, Juliana Perdigão, Dan Nakagawa, Dudu Tsuda, Flu, Juliana R., Pélico, Nereu, Saulo Duarte e a Unidade, Bruno Batista, Clube do Balanço, Ricardo Hertz, Pipo Pegoraro, Roger Lima & Renato Anesi, Sambanzo e a participação especial de Joquinha Gonzaga. “O objetivo é manter a obra de Luiz Gonzaga revitalizada”, afirma Maurício Tagliari. – ANA FERRAZ

 

Polimento da Poesia

Revelado na rabeca do grupo Mestre Ambrósio, no movimento mangue bit, o pernambucano Sérgio Veloso, o Siba, embrenhou-se solo no projeto Fuloresta do Samba. Impregnado pelas sonoridades da canavieira Zona da Mata de seu estado, ambiente de ciranda e maracatu, regado por rústicos sopros e percussões, ele deslocou um naco de folclore para
a linguagem corrente. Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar, avisou seu programático segundo disco com
a Fuloresta, em 2007. Em Avante, acolitado por surpreendentes tuba, vibrafone e bateria, Siba retoma a guitarra do início de carreira, no universo punk-metal de Recife de 20 anos atrás. A nova viagem estética partiu da audição do Método Tufo de Experiências, do guitarrista cearense Fernando Catatau, do Cidadão Instigado, o produtor deste disco. “Pela primeira vez pensei em reaprender a escrever e cantar para dar conta da complexidade de minha vida pessoal”, reflete ele, na apresentação.

Como queria Siba, Avante conjuga hemisférios quase opostos de sua trajetória inquieta. Da cantoria metrificada (Cantando Ciranda na Beira do Mar) à marchinha foliona (Canoa Furada), tinturas do brega onipresente (Ariana, Bagaceira), ecos de ciranda reciclada (Brisa) e da guitarra congolesa (Bravura e Brilho). Tudo sob um raro polimento poético, apto ao estilo discursivo do convidado Lirinha (ex-Cordel do Fogo Encantado) em Um Verso Preso (é um tiro que a arma não disparou) ou ao caudaloso desenlace de Avante (desfeita a trava dos dentes/ a boca escancara e canta). Confessional sem perder a postura. – TÁRIK DE SOUZA

 

A Tradição e a Síncope

A música instrumental brasileira tem no choro seu grande cartaz. Há décadas, contudo, a indústria fonográfica deixou de dar o devido valor para essa vertente. Em São Paulo, a frente cultural Movimento Sincopado organizou-se para viabilizar apresentações e gravações de músicos da nova geração da cena paulistana. Um dos integrantes do coletivo é André Parisi, clarinetista que lança Língua Brasileira (distribuidora Tratorehttp://www.tratore.com.br/cd.asp?id=7898465805031).

Arranjador e professor de música, Parisi toca em uma orquestra de tango. Ele criou os doze temas do álbum. Tal como em sua gênese, quando o choro era uma maneira de tocar, não um gênero consolidado, o disco traz baião, frevo e samba, além de outros ritmos interpretados em forma de choro tradicional, choro-canção, seresteiro ou moderno (com duas partes). Há até aqueles escritos sob a influência de instrumentos de percussão, como Chora Tamborim  e Cozinha Temperada, um solo de pandeiro escrito para o convidado Charlie Flesch. Outros destaques são Gato Preto (com a cuíca de Osvaldinho) e o maxixe Um Pé Atrás do Outro. Língua Brasileira é também o nome do conjunto que acompanha André Parisi. O músico dialoga com a flauta de Dado, como faziam Pixinguinha e Benedito Lacerda. O cavaco de Júlio César faz o centro e sola, bem como o violão de sete cordas de Marcos Cruz. André Kurchal, no pandeiro, garante o bom andamento rítmico do quinteto. Com direção de Ruy Weber, o disco traz ainda a sanfona de Felipe Soares. – ANDRÉ CARVALHO

 

 

 

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