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Sugestões Bravo! para ouvir

por Redação Carta Capital — publicado 15/10/2011 10h00, última modificação 06/06/2015 18h15
A coluna de cultura de CartaCapital desta semana indica Nelson Cavaquinho 100 Anos, sobre o sambista mangueirense, e Live in London, show do Pretenders da turnê de 2009

O ouro do samba

Nelson Cavaquinho 100 Anos – Degraus da Vida
Vários
EMI

Nelson Antonio da Silva foi um boêmio de voz rouca, compositor de primeiro nível e instrumentista cuja batida de violão jamais teve imitadores. Cantou a vida vadia, as angústias, os amores e o medo da morte. Vendeu sambas e deu parcerias em troca de um copo de bebida ou de uma noite em uma hospedaria. Foi como Nelson Cavaquinho que esta espetacular figura humana atingiu a fama, ainda que não ligasse para ela.

No dia 28 de outubro, o sambista mangueirense completaria 100 anos. Ele, que sempre desejou receber as “flores em vida”, ganha, 25 anos após a morte, um álbum-tributo. Nelson Cavaquinho 100 anos – Degraus da Vida reúne clássicos e raridades, com amplo panorama de sua obra. O CD duplo foi idealizado e produzido por Rodrigo Faour, que garimpou o acervo da EMI (herdeira dos catálogos de antigos selos como Odeon, RCA Victor e Copacabana) e dividiu o disco em duas partes: Sambas Consagrados e Sambas Guardados.

O disco 1 destaca clássicos do compositor, alguns em versão original (e fora de catálogo) como Degraus da Vida, lançado por Roberto Silva em 1950, e Palhaço, gravado por Dalva de Oliveira no ano seguinte. Outro samba consagrado em versão menos famosa é Quando Eu me Chamar Saudade, com Nora Ney (1972). Há espaço, claro, para Clara Nunes, com Juízo Final, e Beth Carvalho (Folhas Secas), artista que mais gravou Nelson Cavaquinho. Para colecionadores, o disco 2 é ouro. Algumas das gravações ali contidas aparecem em formato digital pela primeira vez. São elas Cigarro (1953), com Risadinha, e Se me Der Adeus (1969), com Jorge Veiga. Márcia (Mesa Farta), Jurema (Sinal de Paz) e Blecaute (Caridade) também merecem destaque.  – André Carvalho

Punk aos 60

Live in London
Pretenders
LAB 344

Existe vida punk após os 60? Iggy Pop, de 64, rendeu-se à bossa nova Insensatez em Preliminaires. Mas sua discípula Chrissie Hynde, de 60, desguiou o Pretenders por mares mais encapelados, como em Live in London, da turnê  de 2009. Incorporou James Walbourne, guitarrista de entonação rockabilly, e Eric Heywood, apto a adicionar folk blues à mistura. Embora sob a atmosfera de recital roqueiro no 02 Shepherd’s Bush Empire, de Londres, ela exibe fôlego renovado à frente do quinteto, com o baixista Nick Wilkinson e o veterano indomável Martin Chambers nas baquetas.

O rímel da cantora escorre, num toque punk inefável para emoldurar pedradas como Tatooed Love Boys. Há baladas para o vibrato choroso (I’ll Stand by You), mas desde o início CH atiça a guitarra em temas tempestuosos como Boots of Chinese Plastic e não sonega os hits, como Don’t Get me Wrong. Para quem já morou no Copan paulistano, o acento latino (Tequila) soa natural. O tempo não transformou todo o rock em pó. Ou pop. – Tárik de Souza