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Sugestões Bravo! para ler e ouvir

por Redação Carta Capital — publicado 13/11/2011 08h15, última modificação 13/11/2011 08h15
As dicas desta semana são o livro Padre Antônio Vieira Essencial e o novo disco da cantora islandesa Björk. Leia as críticas aqui
padre

Padre Antônio Vieira Essencial

LIVRO

O padre, os índios e os negros

PADRE ANTÔNIO VIEIRA ESSENCIAL
Organizador Alfredo Bosi
Penguin-Companhia das Letras, 760 págs., R$ 35

Até o fim da primeira metade do século XX, todo brasileiro culto tinha na estante um exemplar dos Sermões do padre Antônio Vieira (1608-1697), jesuíta português radicado no Brasil-Colônia, famoso não só por seus discursos religiosos, mas pela defesa da liberdade dos índios e por sua atuação política e diplomática em defesa da Coroa. Com a perda da importância dos sermões na vida cotidiana dos brasileiros, as obras de Vieira foram menos editadas. Mas agora surge o precioso volume Padre Antônio Vieira Essencial, com uma seleção de seus sermões, correspondências e outros textos, organizada pelo professor de Literatura da USP Alfredo Bosi.

Na verdade, tão importante quanto o famoso Sermão da Sexagésima, vem a ser a própria introdução de Bosi. Este esclarece como Vieira era um cultor do universalismo cristão, segundo o qual todos os seres humanos são filhos de Deus. Os índios eram iguais aos brancos, não podendo ser escravizados, e os governantes, iguais aos governados, não podendo ser corruptos. Entretanto, como atestam os Sermões do Rosário e a introdução de Bosi, havia uma peninha nesse universalismo cristão: era a situação dos negros. Estes também, de acordo com Vieira, eram filhos de Deus, mas, sempre segundo ele, podiam ser escravizados. Por quê? Bosi descreve como Vieira, para explicar sua incongruência, sai do “universo do entendimento”, para o qual todos os seres humanos nascem iguais em direitos e deveres, para entrar no “universo da fatalidade”, para a qual o destino dos negros fora traçado por estrelas nefastas. Nem Bosi nem Vieira tocam num ponto crucial: há quem defenda que a Coroa proibiu a escravidão dos índios porque era impossível cobrar taxas sobre eles, uma vez espalhados pela vastidão do território brasileiro, mas era mais fácil cobrar valores sobre escravos negros, pela facilidade de fiscalização nos poucos portos de origem da África e mesmo nos poucos portos de chegada no Brasil. – Renato Pompeu

CD

Sentido da  imaginação

BIOPHILIA
Björk
Polydor/Universal

A bordo de 20 milhões de discos vendidos, Björk concilia a mediania pop com a vanguarda. A diva islandesa manda para o espaço os limites entre música e tecnologia no CD Biophilia (em iPad ou iPhone há aplicativos aptos a expandir as canções em jogos e animações). Tais atmosferas potencializam títulos como Solstice (a voz de Björk oscila ao sabor de
um pendulum), Moon (arpejos mântricos calçam a oscilante emissão da solista, temperada por coral) e Crystalline, cuja animação concita o navegante a combinar cristais, sob fuzilaria de programação eletrônica. O programador Scott Snibe criou o ambiente tecnológico para as viagens interativas e os timbres inusitados como os do instrumento gameleste
foram encomendados ao percussionista Matt Nolan e ao luthier Björguin Tomasson. A corporificação da música
na galáxia estrutural do disco deságua em Vírus, onde células sonoras se multiplicam. Popstar do estranhamento, Björk disponibiliza a imaginação ao alcance dos sentidos. – Tárik de Souza

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