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Sugestões Bravo! para ler

por Renato Pompeu — publicado 17/07/2011 10h17, última modificação 17/07/2011 10h17
Nesta semana as dicas de leitura são Sobre a Revolução, de Hannah Arendt, que discute a Revolução Americana de 1776 e a Revolução Francesa de 1789, e O Navio Negreiro – Uma História Humana, de Marcus Rediker
Sobre a Revolução

Sobre a Revolução, de Hannah Arendt

A revolução na revolução

Sobre a revolução

Hannah Arendt, Companhia das Letras, 416 págs., R$ 55

Quase exatamente meio século depois de lançado em inglês, em 1963, sai no Brasil, o volume Sobre a Revolução, da filósofa judeo-alemã Hannah Arendt (1906-1975), radicada nos Estados Unidos desde 1940, refugiada do nazismo, e considerada pela maioria dos estudiosos a maior pensadora, entre homens e mulheres, do século XX. Nesse livro ela discute a Revolução Americana de 1776 e a Revolução Francesa de 1789, que, na época em que a obra foi lançada, não eram consideradas tão revolucionárias assim, já que o que estava na moda entre os intelectuais eram as revoluções Russa, Chinesa, Cubana e o Vietnã. Ainda por cima, a autora defendeu que a Revolução Americana, por suas raízes municipalistas em órgãos semelhantes aos primeiros sovietes na Rússia, tinha sido mais profunda do que a Francesa, que para ela mergulhou na cega violência populista. O apresentador americano do livro, Jeremy Schell, chama a atenção para que as revoluções das últimas décadas, por exemplo, nos antigos países comunistas, e, podemos acrescentar, ultimamente nos países árabes, seguem mais um modelo “arendtiano” do que qualquer outro. Esse grande achado mostra como Sobre a Revolução é atual.

A mulher que tremia demais

A Mulher Trêmula ou Uma História dos Meus Nervos

Siri Hustvedt, Companhia das Letras, 208 págs., R$ 42

Nesse A Mulher Trêmula ou Uma História dos Meus Nervos, lançado pela Companhia das Letras, a escritora americana Siri Hustvedt, de ascendência norueguesa, conta como passou a sofrer de um estranho mal que a levava a, repentinamente, ficar tremendo de maneira incontrolável. O livro pode ser útil para quem padece da mesma doença, mas também pode ser lido com proveito por leitores e leitoras que queiram conhecer mais a fundo as agruras a que os seres humanos são sujeitos. A primeira vez que tremeu violentamente foi ao fazer numa pequena cidade do estado de Minnesota um discurso em memória do pai, professor de cultura norueguesa, falecido mais de dois anos antes. Mal começou a falar e ficou tremendo agitadamente pelo corpo todo, do pescoço para baixo. A escritora, que sofria crises de dores de cabeça desde a infância, tendo chegado a ser hospitalizada por causa disso, sofreu outra tremedeira algum tempo depois, também em público. A partir daí e sujeitada a várias outras crises, ela se pôs a pesquisar infatigavelmente o que a psiquiatria e a neurologia tinham a dizer sobre seu problema. Descobriu que, no século XIX, ele seria diagnosticado como “histeria” e, no século XX, como um distúrbio de conversão. Fez um mapeamento eletrônico de seu cérebro e não se descobriu nada. Ela discute as várias teses, e parece ter uma preferência pelas explicações freudianas, embora afirme que a teoria de Freud tem muitas imperfeições. Detalhe importante: ela diz que nunca perdeu a consciência ou a lucidez durante os tremores.

O horror dos navios negreiros

O Navio Negreiro – Uma História Humana

Marcus Rediker, Companhia das Letras, 456 págs, R$ 64

Olivro O Navio Negreiro – Uma história humana, do historiador americano Marcus Rediker, lançado agora no Brasil, foi publicado originalmente em inglês em 2007, quando o autor tinha 56 anos. Rediker, especialista em história social, trabalhista e marítima do Atlântico, começou quando recém-formado a escrever a obra. Levou 30 anos pesquisando para esse livro que reconstrói impecavelmente a vivência nos navios negreiros que, por mais de três séculos, trouxeram escravos da África para o Novo Mundo. Não se trata de um frio inventário de estatísticas sobre condições nauseabundas e cadáveres lançados ao mar. Tratam-se de histórias vivas, como a do rapaz capturado em sua aldeia e vendido a traficantes brancos por negros de outra tribo, ou do candidato a sacerdote que vira marinheiro e acaba horrorizado com o que vê nos porões. A pergunta que não quer calar: os descendentes desses “passageiros” não têm direito a indenização, como os dos judeus vítimas de outro Holocausto?