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Sugestões Bravo! para assistir

por Orlando Margarido — publicado 23/07/2011 10h54, última modificação 23/07/2011 10h57
Nessa semana Orlando Margarido indica Outubro, de Daniel e Diego Vega, e Assalto ao Banco Central, de Marcos Paulo
Outubro

Sobre a mesquinhez. Cena de Outubro, de Daniel e Diego Vega

Grandeza dos pequenos

Outubro

Daniel Vega e Diego Vega

Clemente (Bruno Odar) não faz por valer seu nome. Usurário, é nada compreensivo com os desesperados de um núcleo pobre de Lima, a capital do Peru, que batem à sua porta para conseguir dinheiro ou trocar objetos usados. Concede alguma afabilidade ao velho que a duras penas guarda suas economias para a morte, e só.

Os diretores peruanos, e irmãos, Daniel e DiegoVega acreditam, no entanto, que pode existir grandeza mesmo no território onde grassa a mesquinhez e testam seu protagonista, colocando à sua porta um bebê abandonado, fruto da relação do personagem com uma prostituta.

A partir daí, a crueza não abandona de todo o filme Outubro (produção conjunta de Espanha, Venezuela e Peru), previsto para estar nas salas do circuito nacional a partir desta sexta 22, mas se abre um tanto para o singelo. A criança atrai uma empregada encarregada dos cuidados e outros personagens que também reivindicarão um olhar mais brando do agiota. Mas não se consegue uma transformação fácil, mais do que sutil, desse homem endurecido, capaz de tentativas frustradas de repassar uma nota falsa como afirmação de um caráter.

Teria sido esse o fio de realidade puxado pelos realizadores para compor um tocante painel de vidas pequenas e sonhos miúdos em seu país sul-americano, mas com valor suficiente para merecer o prêmio do júri da mostra Um Certo Olhar do Festival de Cannes do ano passado.

Crime de gênero

Assalto ao Banco Central

Marcos Paulo

É inevitável assistir a Assalto ao Banco Central, em cartaz nesta sexta 22, pelo prisma de Assalto ao Trem Pagador (1962), referência em seu gênero no cinema brasileiro. Salvo o contexto real explicitado no título, os filmes seguem a vereda do grande roubo por uma quadrilha, atentado feliz no segundo caso, mas não no primeiro. Deste partido, um crime ainda não solucionado, inspira-se a produção do veterano de tevê Marcos Paulo. Tanto assim que desfaz de pronto o clímax da incompetência do bando liderado por Barão (Milhem Cortaz). Ao mesmo tempo que cavam o famigerado túnel até o cofre cearense com 164 milhões de reais, alguns dos integrantes (Eriberto Leão, entre outros) são vistos inquiridos pelo investigador (Lima Duarte), enquanto outros aguardam  a parte 2 que virá. Falta audácia e sobram vícios da teledramaturgia ao filme, o que parece casar com os inaptos da nossa crônica policial sem glamour.

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