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Sugestão de Bravo! para ver

por Orlando Margarido — publicado 09/07/2011 10h59, última modificação 09/07/2011 10h59
Nesta semana Orlando Margarido indica a mostra sobre os trabalhos de Frans Krajcberg, que fica no Museu Afro Brasil, em São Paulo, até 6 de novembro

Exposição

Mestre natural

Frans Krajcberg

Museu Afro Brasil,
de 8 de julho a 6 de novembro

O apelo mais imediato da obra de Frans Krajcberg é ecológico. Desde o início dos anos 1970, o artista polonês de 90 anos radicado no Brasil usa a natureza para construir esculturas com raízes, cipós e troncos calcinados,  material condenado pela intrusão do homem. Vem daí seu grito de denúncia. Menos evidente talvez seja a relação de sua arte com o passado marcado por angústias e tragédias, lembradas em depoimento. Quando criança, na Polônia, ele costumava se refugiar na floresta, onde construiu uma casa semelhante à que habita faz décadas em Nova Viçosa, na Bahia, agora sobre uma árvore. Dizia haver perseguição religiosa contra seus familiares, que perdeu em um campo de concentração. A possibilidade de somar tais lembranças ao ofício acontece agora na exposição que o Museu Afro Brasil inaugura na sexta 8 no Parque do Ibirapuera, onde se estudou oficializar um espaço permanente para suas obras.

O caráter teimoso desse companheiro solitário da natureza, como lembra o curador Emanoel Araujo, dedicado a atravessar as matas de Minas Gerais à Amazônia em seu incansável ativismo é representado em 31 trabalhos entre as habituais esculturas e relevos. Prova de sua sintonia com o passar do tempo são os suportes em backlights e as fotografias. Essas servem para documentar não só o estrago predatório, mas sua própria arte, como forma de protegê-la e eternizá-la. Krajcberg atenta com isso à fragilidade da produção, como enfim é a natureza. Aprendeu a retirar dela o necessário, inclusive os pigmentos da região mineira que o permitiram continuar a pintar depois da intoxicação com tinta. Sua ambição artística sempre foi moldada pelas condições em torno, como na gruta que habitou em Ibiza para realizar gravuras em pedra. Surpreende que não tenha se acomodado, portanto, aos ateliês afamados que frequentou um dia em Paris, como aqueles de Fernand Léger e Marc Chagall.  – OM

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