Você está aqui: Página Inicial / Cultura / Sugestão Bravo! para ver

Cultura

Fotografia

Sugestão Bravo! para ver

por Rosane Pavam publicado 12/06/2011 10h54, última modificação 19/06/2011 11h39
A Exposição Extremos: Fotografias da Coleção da Maison Européenne de la Photographiem, busca recuperar a força de imagens clássicas. Por Rosane Pavam
Sugestões Bravo! para ver

A Exposição Extremos: Fotografias da Coleção da Maison Européenne de la Photographiem, busca recuperar a força de imagens clássicas. Por Rosane Pavam. Foto: Bruce Davidson/Magnum

Perfume do passado Exposição busca recuperar a força de imagens clássicas

EXTREMOS: FOTOGRAFIAS DA COLEÇÃO DA MAISON EUROPÉENNE DE LA PHOTOGRAPHIE - PARIS

Instituto Moreira Salles

De 11 de junho a 28 de agosto,
no Rio de Janeiro

De setembro a novembro,
em São Paulo

Uma exibição fotográfica, como qualquer outra, será grande em razão da qualidade dos artistas a nela expor seus trabalhos. E esta no Instituto Moreira Salles tem os melhores do mundo fotográfico, entre os revolucionários da arte, o americano Robert Frank e o francês Henri Cartier-Bresson, os mestres do humor, caso de Elliott Erwitt, e os etnógrafos do submundo, como o americano Bruce Davidson, os brasileiros Rodrigo Braga e Miguel Rio Branco, e o francês Pierre Verger. Nesta exposição, o que une imagens sem paralelo
é o velho conceito curatorial. Mas que intuito será esse a equivaler sabiamente a geometria de Bresson à vida nas ruas americanas de Frank?

O intuito, aqui, parece ser o da história. É ela a desejar ser vista no transcorrer de 65 anos de imagens clicadas. Os curadores têm os faróis voltados para trás, como a evocar a definição do escritor brasileiro Pedro Nava para sabedoria, e explicitamente querem devolver a força que essas imagens perderam, uma vez tornadas clássicas. Vamos explicar que um
dia foram explosivas?

Os curadores bem sabem que Yves Saint-Laurent nu, como o fotografou Jeanloup Sieff, ou a linda modelo à moda do Abaporu de Tarsila do Amaral, de Edward Weston, não fazem mais o mundo tremer, como nem mesmo seriam capazes disso os surfistas ferroviários de Rogério Reis. É hora
de valorizar os instantes deste grande acervo na mesma medida em que apoiamos estudar os fatos, por exemplo, em torno da Segunda Guerra Mundial.

O espectador desta mostra poderá então equiparar as ruínas do Spanish Harlem, por Bruce Davidson, às das cidades italianas vencidas de Robert Capa (infelizmente, um fotógrafo ausente de tudo isso). Os índios de Claudia Andujar sofrerão como os negros segregados americanos, por Erwitt, aqui um artista nem tão engraçado assim. Serão 115 imagens da Coleção da Maison Européene de la Photographie, anteriormente expostas durante o Mês da Fotografia de 2010, em Paris, a ilustrar o passado. Ele nos explicará a dor presente ou, como preferem Milton Guran e Jean-Luc Monterosso, tornará “visível a transgressão”. – ROSANE PAVAM