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Sobre as mulheres

por Rosane Pavam publicado 10/09/2012 11h35, última modificação 10/09/2012 11h35
Três obras em formato pequeno, acerca de temática feminina, chegam às livrarias
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Virginia Woolf

Três obras em formato pequeno, acerca de temática feminina, chegam às livrarias. O mais atraente dos livros é Strange Fruit. David Margolick transforma a investigação sobre a música de Abel Meeropol em história cultural. A canção (Corpos negros balançam na brisa do sul, diz um verso) fala pela primeira vez sobre os linchamentos de negros. Billie Holiday a interpreta nos anos 1940. E os versos se tornam seus, não porque tivesse sido a primeira a cantá-los, mas porque, neles, condenou de forma certeira o racismo nos EUA.

Margolick levanta os testemunhos sobre a criação e interpretação da música. E o que sobressai destes relatos é espantoso. Segundo grande parte deles, Billie não sabia o que cantava. Fosse por conta de seu vício em heroína ou da simplicidade de origem, ela talvez estivesse alheia à metáfora. A dúvida sugere o balançar da fruta em árvore amarga. Quem não entende Strange Fruit pode cantá-la como Billie faz? É como se sobre a intérprete, negra e mulher, pesassem ainda duas condições de inferioridade. E o prefaciador Hilton Als aponta seu desconforto em relação a esse preconceito.

Em 1905, três décadas antes que a cantora adentrasse o cenário do jazz, Virginia Woolf descreveria no Times Literary Suplement  a limitação experimentada por aquelas de seu gênero. Unam-se, ela pede. Em um dos textos de Profissões para mulheres e outros artigos feministas, fala francamente. Tornou-se escritora não porque lhe detectaram a capacidade cognitiva para tal, mas porque isto jamais alteraria a ordem das coisas. “O riscar da caneta não perturbava a paz do lar. Não se retirava nada do orçamento familiar. Dezesseis pences bastam para comprar papel para todas as peças de Shakespeare.”

Um homem defenderia o brio feminino em pleno século XVIII? O espanhol Juan Bautista Cubíe tentou. Ele era um “galante”, adulador de mulheres, como se dizia, contra os “detratores”, que apontavam sua inferioridade. Em Defesa das Mulheres foi seu modo de combater o “vilipêndio” dirigido a elas. O pensador se explicava: “Não poderá essa defesa causar prejuízo algum à moral, desde que as mulheres não pensem mais do que devem sobre suas virtudes”. Tal galanteio, vez ou outra, a mulher destes tempos poderá ainda experimentar.

Strange Fruit - Billie Holiday e a biografia de uma canção
David Margolick
Cosacnaify 144 págs., R$ 39,90

Profissões para mulheres e outros artigos feministas
Virginia Woolf
L&PM, 112 págs., R$ 10

Em Defesa das Mulheres
Juan Bautista Cubíe
Unesp, 146 págs., R$ 30

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