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Calçada da Memória

Sir não, operário

por José Geraldo Couto — publicado 10/07/2011 11h32, última modificação 17/07/2011 11h18
Albert Finney ingressou muito jovem na Royal Shakespeare Company. Talvez isso o tenha ensinado a desmistificar desde cedo o ofício de ator, que ele comparava ao de pedreiro
Sir não, operário

Albert Finney ingressou muito jovem na Royal Shakespeare Company. Talvez isso o tenha ensinado a desmistificar desde cedo o ofício de ator, que ele comparava ao de pedreiro. Foto: Photo12/AFP

Albert Finney poderia ser cavaleiro da coroa britânica e exigir o tratamento de sir, mas recusou a honra, preferindo ser conhecido apenas como ator. “Esse negócio de sir ajuda a perpetuar uma das doenças
da Inglaterra, o esnobismo.”

Filho de um guarda-livros da proletária Salford, Finney ingressou muito jovem na Royal Shakespeare Company. Aos 19 anos já encarnava Brutus numa montagem de Júlio César. Talvez isso o tenha ensinado a desmistificar desde cedo o ofício de ator, que ele comparava ao de pedreiro.

Descoberto por Tony Richardson numa apresentação de Coriolano, estreou no cinema contracenando com Laurence Olivier em O Anfitrião (1960). Tornou-se então um dos astros do free cinema britânico.

Ainda em 1960, fez o papel de um operário revoltado em Tudo Começou num Sábado, de Karel Reisz. “Fui o primeiro homem a ser visto dormindo com a mulher de outro num filme inglês”, lembra com orgulho.

Escolhido para o papel-título de Lawrence da Arábia (1962), desistiu por causa do cronograma puxado de filmagens. Preferiu estrelar As Aventuras de Tom Jones (Tony Richardson, 1963), que lhe deu fama mundial e a primeira de suas cinco indicações ao Oscar.

Dividindo seu tempo entre o palco e o set, atuou em filmes marcantes como Assassinato no Expresso Oriente (Sidney Lumet, 1974), O Fiel Camareiro (Peter Yates, 1983) e À Sombra do Vulcão (John Huston, 1984).

Sua mais recente aparição nas telas foi em Antes
Que o Diabo Saiba Que Você
Está Morto (Lumet, 2007). Agora deve estrelar
The Rivals, de John Landis, em preparação. Aos 75
anos, o cavaleiro-operário segue em plena atividade.

As Aventuras de Tom Jones (1963)

Deliciosa adaptação por Tony Richardson do romance clássico de Henry Fielding sobre Tom Jones (Finney), o mulherengo filho adotivo de um nobre rural. Um dos maiores sucessos do free cinema britânico, o filme deu a Finney sua primeira indicação ao Oscar. Viriam outras quatro, bem como duas ao Tony.

Assassinato no Expresso Oriente (1974)

Nesta célebre história de Agatha Christie, o detetive Hercule Poirot (Finney) é chamado a resolver um caso de assassinato ocorrido no trem em que ele viaja. Adaptação feita com classe por Sidney Lumet. O elenco inclui Lauren Bacall, Ingrid Bergman, Sean Connery e John Gielgud, entre outros.

Peixe Grande
(2003)

Will Bloom (Billy Crudup) tenta conhecer melhor o pai moribundo, Ed Bloom (Finney, velho; Ewan McGregor, moço) mergulhando em suas histórias, que misturam realidade e imaginação. Baseado em romance de Daniel Wallace, é um tema sob medida para a veia fantasiosa do diretor Tim Burton.