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Sinfonia amorosa

por Renato Pompeu — publicado 17/03/2011 08h46, última modificação 17/03/2011 08h46
O Caminho para a Liberdade (1908), do escritor austríaco Arthur Schnitzler, é uma autobiografia romanceada em que o autor une o seu talento psicológico ao sociológico

O Caminho para a Liberdade (1908), do escritor austríaco Arthur Schnitzler, é uma autobiografia romanceada em que o autor une o seu talento psicológico ao sociológico
O escritor austríaco Arthur Schnitzler (1862-1931), um dos brilhantes intelectuais judeus da Viena da passagem do século XIX para o século XX, mais conhecido no Brasil como autor da peça de alta carga erótica que deu origem ao filme La Ronde (1950), de Max Ophuls, era um homem de múltiplos talentos. Médico eminente, aprofundou-se em psiquiatria, o que talvez tenha a ver com o fato de que ele foi o primeiro escritor do mundo a descrever o fluxo da consciência, tendo inspirado o famoso escritor irlandês James Joyce em seu Ulisses.
Neste romance O Caminho para a Liberdade (1908), uma autobiografia romanceada, ao seu talento de agudo psicólogo se reúne o de consumado sociólogo. Trata-se de uma visão panorâmica da Viena da fase áurea, embalada pelas grandes valsas clássicas e escandalizada pelos primeiros passos da psicanálise. O principal aspecto levantado pelo romance são os complexos relacionamentos entre setores mais tolerantes da empertigada aristocracia do império austro-húngaro com os setores mais bem-sucedidos, ricos e brilhantes da comunidade judaica. Perfeito como criador de personagens complexos e contraditórios como as pessoas reais, Arthur Schnitzler quase fez um romance à clef, isto é, baseado em personagens reais, mas principalmente produziu uma sinfonia sobre os andamentos dos compassos amorosos.
O CAMINHO PARA A LIBERDADE
Arthur Schnitzler

Record, 244 págs., R$ 59,90