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Sem medo do “créu”

por Pedro Alexandre Sanches — publicado 03/05/2011 11h47, última modificação 06/05/2011 14h55
Uma das maiores cantoras brasileiras, raramente classificada como tal, Alcione lança selo para acolher uma verve que ultrapassa o samba

Uma das maiores cantoras brasileiras, raramente classificada como tal, Alcione lança selo para acolher uma verve que ultrapassa o samba

A cantora entra na sala da gravadora e, brincalhona, brada com a voz de trovão peculiar: “Chegou a melhor cantora do Brasil!” “E aqui está a segunda, lhe esperando”, resigna-se de dentro Maria Bethânia, para assombro de Alcione, que não sabia da presença da colega. “Quase me jogo para debaixo da mesa”, envergonha-se muito tempo depois da cena a maranhense de 63 anos. Com quatro décadas de carreira profissional, ela jura que jamais proferiria uma frase daquelas, a não ser por brincadeira. “Nunca achei que eu era a maior, nem na época nem agora”, afirma, sentada na ampla sala de sua casa, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. “Hoje posso estar entre as melhores, mas eu estava começando, como queria ser a maior?”

Alcione é mesmo uma das grandes cantoras brasileiras, mas raramente classificada como tal, porque canta samba sem nenhum pejo de soar romântica, qual uma mistura de Clara Nunes com Roberto Carlos. A liberdade ela conquistou aos poucos. Sua versatilidade nem sempre é percebida. Neste mês ela grava o DVD e o CD ao vivo que serão os primeiros lançamentos de sua própria gravadora. “Resolvi ter o meu selo, Marrom Music. Chique, né? Vou cantar Armando Manzanero, Charles Aznavour, lados B nunca tocados no rádio. Vou cantar Burt Bacharach.”

A intérprete chegou à gravadora Philips em 1972, pelas mãos do sambista paulista Jair Rodrigues. O diretor artístico era Roberto Menescal. “Ele não apostava no romântico, porque queria que eu ficasse no samba”, relembra. “Estourei com Não Deixe o Samba Morrer (1975)”, completa, citando a música que a celebrizou e é até hoje um dos pilares do gênero. “Achavam que cantor negro só podia cantar samba

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 645, já nas bancas.