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Bravo! Teatro

Sem chão sob os pés

por Redação Carta Capital — publicado 14/04/2013 07h50, última modificação 14/04/2013 07h51
Novo espetáculo do Grupo Espanca, de Belo Horizonte, O Líquido Tátil, uma visita familiar torna-se passagem para outro nível de realidade
O Líquido Tátil

Sutis absurdos. Marcelo Castro, Grace Passô e Gustavo Bones

Por Alvaro Machado

O LÍQUIDO TÁTIL
Grupo Espanca
Direção: Daniel Veronese
Sesc Pompeia, até 28/4

 

 

Mais a propósito a cada dia, o ditado “de perto ninguém é normal” tem ilustração à altura no novo espetáculo do Grupo Espanca, de Belo Horizonte. Não importa se a frase é original de Caetano Veloso, ou dele a partir de Tostoi (com relação às famílias) ou de Nelson Rodrigues (a comentar honestidade) ou amálgama de três pensamentos. Em O Líquido Tátil, uma visita familiar torna-se passagem para outro nível de realidade, a deslocar o chão sob os pés do espectador. Alteração em grande medida provocada pelo tom que a atriz e diretora Grace Passô, musa de várias companhias vanguardistas, imprime aos diálogos do argentino Daniel Veronese, no que é seguida por Gustavo Bones e Marcelo Castro.

O tapete da normalidade arrancado fundamenta-se nos absurdos sutilmente plantados por Tchekhov em comédias
como O Urso e Os Males do Tabaco, bem como na sensibilidade alternativa proposta pelo cronópio maior, Júlio Cortázar. Com 40 minutos o esquete engendra prova de humor a honrar a inteligência das melhores plateias.

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