Você está aqui: Página Inicial / Cultura / Segundo semestre traz grandes festivais de música. Mas o público nem sempre sai ganhando

Cultura

Música

Segundo semestre traz grandes festivais de música. Mas o público nem sempre sai ganhando

por Camila Alam — publicado 01/09/2010 16h38, última modificação 01/09/2010 16h38
Entre os mais disputados, estão o Planeta Terra, o SWU, o Natura Nós e UMF Brasil. A lista de atrações é tentadora

Aqueles que adoram shows de grande porte já ficam espertos quando chega o segundo semestre. Por alguma razão (eu não sei qual), é neste período do ano que pipocam festivais de música, em sua maioria trazendo bandas internacionais de destaque, que chamam atenção por nunca terem vindo ao Brasil ou por manterem aqui um público fiel.

Formato de sucesso na Europa e nos Estados Unidos, os festivais são normalmente realizados em grandes espaços ao ar livre e anunciam programação para um ou mais dias. Acontecem, em sua maioria, durante a noite e os artistas anunciados sobem ao palco em sequência pré-determinada. Mas, nos últimos anos, observamos alguns desses festivais tratarem o público com bastante desrespeito. Seja pelo preço cada vez mais exorbitante dos ingressos, seja pelas esperas intermináveis entre um show e outro. Ou ainda, pela falta de qualidade técnica do som (o pior pesadelo), falta de organização de público, falta de produtos no bar, falta de...

Nos próximos meses, São Paulo recebe alguns eventos desse porte. Entre os mais disputados, estão o Planeta Terra, o SWU, o Natura Nós e UMF Brasil. A lista de atrações é tentadora e reúne artistas como Jamiroquai, Air, Dave Matthews Band, Smashing Pumpkins, Fatboy Slim, Kings of Leon, Moby, Queens of the Stone Age e Rage Against the Machine. Para ver algumas destas atrações, o público pode gastar até R$ 580 em um único ingresso. Este é o preço de um dia de apresentação para aqueles que desejarem comparecer a pista premium do festival SWU, que acontece no interior de São Paulo.

Único a dar ênfase à música brasileira, o festival Nova Brasil, promovido por rádio homônima, aconteceu no último sábado (28). Com público estimado em 30 mil pessoas, tomou a arena do Anhembi, em São Paulo. Pontual, começou os shows sem atraso. O primeiro a subir no palco foi Zeca Baleiro, seguido por Nando Reis, Maria Rita e Jorge Ben Jor. A organização montou na arena dois palcos distintos, para que não houvesse perda de tempo entre a troca de equipamento de artistas. Os quatro shows custaram entre R$ 70 (pista, inteira) e R$ 240 (camarote, inteira). Na pista, havia diversos pontos de venda de bebidas, bem sinalizados para que fossem vistos de longe. Com entrada e dispersão muito tranquilas, o primeiro evento desse porte realizado pela rádio serve de exemplo a outros veteranos.

Com tantos festivais acontecendo ao mesmo tempo, parece haver uma grande disputa para atrair público e ser bem sucedido. Todos querem ser o responsável por trazer “aquela” atração, mas o apelo comercial deixa de lado o respeito ao consumidor. Pelo preço em que se paga na maioria destes eventos, o público deveria ser melhor estimado. Enfim, sem público, não há festival.