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The Observer

São os defeitos de Bridget que a tornam tão perfeita

por The Observer — publicado 14/11/2012 10h53, última modificação 14/11/2012 10h56
Em um mundo obcecado pela perfeição, a volta da incorrigível quarentona é uma boa notícia
Film Title: BRIDGET JONES : THE EDGE OF REASON.

Cena do filme "O Diário de Bridget Jones"

Por Alex Clark

Conversas sobre o retorno de Bridget Jones -- um terceiro romance será publicado no próximo outono, 16 anos depois que a primeira parte de suas desventuras chegou às livrarias -- parecem ter acertado rapidamente na polêmica questão sobre se a diarista ocasional ainda gosta de uma bebida e um cigarro e calcula seu consumo diário de calorias. De fato, Jenni Murray, ao entrevistar a criadora de Bridget, Helen Fielding, no programa "Hora da Mulher" na Radio 4, com um pouco mais de ironia que a habitual em sua voz, a pressionou -- de modo encantador, é claro -- sobre o assunto, apenas para receber uma evasiva resposta igualmente encantadora.

É compreensível: mesmo que não tenha dominado seus vícios, seria improvável que Bridget, em mais de uma década, permanecesse fiel ao hoje fora de moda Chardonnay que ela consumia aos baldes; enquanto isso, sua dedicação ao Silk Cut provavelmente vacilou diante da proibição ao fumo, e se ela conta calorias em vez de cortar carboidratos realmente perdeu o memorando do espírito da época. Atualizar um personagem de ficção amado é um negócio tão delicado que qualquer um se intimidaria.

Mas há diferenças mais significativas. A nova excursão de Bridget, ao que parece, transcorrerá em Londres, nos dias atuais, e Bridget -- uma solteira de 30 e poucos anos na década de 1990 -- hoje terá 40 e muitos. Vamos falar francamente: as heroínas do tipo de novelas que vendem aos baldes geralmente não têm essa idade. Já tiveram, quando as mulheres podiam escrever novelas cômicas sem ser espremidas em capas cor-de-rosa e receber títulos engraçadinhos e colocadas em uma prateleira marcada "literatura para garotas" independentemente de sua qualidade ou intenção. Mas hoje, nem tanto; e isso, com um sinal para a terrível lei das consequências imprevistas, cabe em parte ao fato de as editoras passarem dez anos procurando a próxima Bridget Jones.

Jones sempre foi mais subversiva do que aparentava, porém, e parece ter continuado assim, enquanto sua narrativa incorpora mudanças sísmicas em comunicação interpessoal. Em vez de registrar as unidades de álcool, Fielding deixou escapar, as anotações no diário de Bridget podem começar com a soma de seus seguidores no Twitter (zero). Mas ela também reiterou que o que seu personagem deveria incorporar -- além das estripulias românticas, as piadas sobre calcinhas enormes e preocupações com o peso, os empregos idiotas em que ela era uma idiota -- era a imperfeição, e uma aceitação da mesma.

O que ela gostaria, perguntou Jenni Murray, que sua literatura nos contasse? Que não precisamos ser "criaturas de marca", respondeu Fielding. "Está bem ser apenas normal... você não precisa ser uma imagem de aerógrafo em uma revista ou foto de publicidade. Se chegou lá, então acho que isso é poder."

Parece óbvio, ao ponto de perder o interesse, mas não é. Na década desde que Jones engoliu seu primeiro tonel de vinho branco e sofreu com seu grande traseiro, a pressão sobre as mulheres para caber em moldes se intensificou, apesar de um esforço concertado para fingir o contrário. Mas uma cultura obcecada por roupas caras, cuidados pessoais, forma física, a trajetória profissional certa, o cenário reprodutivo ideal, o círculo social perfeito, etc, etc, não é uma cultura onde a imperfeição é tolerada, quanto menos incentivada. Para que a "nova" Bridget seja tão de seu tempo quanto era a "antiga", muitas coisas provavelmente mudarão; mas por favor, Deus, deixe-a continuar tão incorrigível quanto sempre foi.

 

 

 

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