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Sangue pelas mulheres

por The Observer — publicado 10/09/2011 09h28, última modificação 12/09/2011 12h02
Cartas pessoais inéditas, filmes caseiros e lembranças íntimas de George Harrison corrigem a percepção do público acerca do “Beatle silencioso” em documentário de Martin Scorsese

Por Vanessa Thorpe e Ben Dowell, para o The Observer

Cartas pessoais inéditas, filmes caseiros e lembranças íntimas de George Harrison corrigem a percepção do público acerca do “Beatle silencioso” em documentário de Martin Scorsese. As revelações incluem o fato de que a viúva de Harrison, Olivia, lutou para manter o relacionamento. Em Living in the Material World estão o humor cáustico de Harrison, seu talento para amizades profundas e a obsessão pela música.

Olivia, que produziu o filme com Scorsese e permitiu acesso ao arquivo da família, fala sobre a atitude “desafiadora” de seu marido com outras mulheres e sobre o estranho que invadiu sua casa e quase pôs fim à vida do músico, esfaqueando-o, pouco depois de ele se recuperar da primeira crise do câncer fatal. “Ele gostava de mulheres e as mulheres gostavam dele”, diz Olivia. “Algumas palavras já causavam um efeito profundo nelas. Era difícil lidar com alguém tão amado.” Paul McCartney também fala sobre o apreço: “Não quero falar muito, porque era meu amigo, mas ele gostava das coisas de que os homens gostam. Tinha o sangue vermelho”.

A persistência foi vital para o segundo e duradouro casamento de Harrison, segundo sua viúva: “Na primeira vez que tivemos uma grande discussão em turnê, contornamos a coisa. Existiu essa incrível recompensa no final”. Olivia revela a reação de Harrison ao assassinato de John Lennon: “Ele ficou furioso porque John não teve a chance de deixar seu corpo de uma maneira melhor”.

Phil Spector, que produziu o primeiro trabalho-solo do artista, lembra de sua intensidade musical. Perfeccionismo não é a palavra. Ia além disso.” Parte da letra da canção I’d Have You Anytime, composta com Bob Dylan, era dirigida ao próprio Dylan, que Harrison sentia ter recuado da amizade. Eric Clapton disse que se sentia um Lancelot invejoso na Camelot dos Beatles. “Eu havia me tornado obcecado por Patti (Boyd – a primeira mulher de Harrison)”, admite. Quando confessou isso ao amigo, ele foi cavalheiro, quase lhe dando carta-branca: “Havia muitas trocas de casais”. Eric Idle e Terry Gilliam confirmam o papel crucial de Harrison no financiamento do filme do Monthy Python A Vida de Brian, hipotecando sua casa.

Ringo Starr é levado às lágrimas ao lembrar sua última conversa com Harrison, que, agonizante em um hospital suíço, em 2001, ainda fez uma piada melancólica. Starr tinha de ir embora porque sua filha estava sofrendo uma cirurgia cerebral de emergência em Los Angeles. “George disse: ‘Quer que eu vá com você?’ Foram as últimas palavras que eu o ouvi dizer.”

LIVING IN THE MATERIAL WORLD
Direção de Martin Scorsese
Lançamento mundial em 10 de outubro