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Salman Rushdie acusa polícia indiana de inventar ameaças de morte

por AFP — publicado 23/01/2012 16h57, última modificação 23/01/2012 16h57
Autor de Os Versos Satânicos precisou cancelar participação no Salão do Livro, em Jaipur, região com grande concentração de muçulmanos que consideram a obra ofensiva
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O aclamado autor, que vai publicar uma muito esperada memória sobre a década que passou escondido da fatwa assassina, sofre mais uma vez a ameaça de fanáticos por causa dos Versos Satânicos. Foto:Shaun Curry/AFP

JAIPUR (AFP) - O escritor britânico de origem indiana Salman Rushdie acusou neste domingo 22 a polícia da Índia de ter inventado uma conspiração para assassiná-lo a fim de impedir que participasse do principal Salão do Livro, em Jaipur, capital do estado do Rajastão (oeste).

"Investiguei e acredito que mentiram. Estou indignado e muito enojado", disse Rushdie no Twitter, depois de artigos publicados na imprensa afirmarem que a polícia do Rajastão havia inventado a ameaça de morte contra ele.

Na sexta-feira 20, o autor anunciou que não participaria mais do Salão do Livro.

O livro de Rushdie Os Versos Satânicos, publicado em 1998 e que está proibido na Índia, continua sendo considerado por muitas pessoas no mundo muçulmano como uma obra ofensiva ao Islã.

O escritor, de 65 anos, nascido em Mumbai, passou uma década escondido depois que o guia espiritual iraniano, o aiatolá Ruhollah Khomeini, lançou uma fatwa (decreto religioso) em 1989 pedindo que fosse assassinado devido ao livro.

Salman Rushdie, que participou do mesmo festival em 2007 sem registro de incidentes, falaria de seu livro Os Filhos da Meia-noite (1981), que ganhou o prestigiado Booker Prize. Ele também deveria participar de uma mesa-redonda sobre a "indianização" da língua inglesa.

Muitos autores presentes no Festival de Jaipur, que atrai milhares de visitantes indianos e estrangeiros, expressaram sua oposição à campanha contra Rushdie, afirmando que a liberdade de expressão deveria ser respeitada.

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