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Calçada da Memória

Rir para não chorar

por José Geraldo Couto — publicado 16/02/2013 16h00, última modificação 07/03/2013 18h00
O talento cômico infalível de Jack Lemmon atingiu seu ápice em Quanto Mais Quente Melhor, que o tornou um “valor seguro” de Hollywood

Antes de cada tomada, assim que o diretor gritava “Ação” e a câmera começava a rodar, Jack Lemmon (1925-2001) dizia baixinho: “It’s magic time”. Mas a mágica estava baseada em muito esforço, concentração e competência técnica. Essa combinação fez dele um dos maiores atores de cinema da segunda metade do século XX.

Nascido em Newton, Massachusetts, Lemmon estudou arte dramática em Harvard. Depois de servir na Segunda Guerra Mundial como cadete da Marinha, trabalhou como pianista de bar e ator de rádio, teatro e tevê. Estreou no cinema já por cima, contracenando com Judy Holliday num filme de George Cukor (Demônio de Mulher, 1954). No ano seguinte, ganhou o Oscar de coadjuvante por Mister Roberts (John Ford e Mervyn Le Roy).

Seu talento cômico infalível, que atingiu o ápice em Quanto Mais Quente Melhor  (Billy Wilder, 1959), logo o tornou um “valor seguro” de Hollywood. Seu escopo se ampliou quando foi chamado a atuar em “dramas misturados com comédia, que são o que a vida é”, segundo suas palavras: Se Meu Apartamento Falasse (Wilder, 1960), Vício Maldito (Blake Edwards, 1962).

Sua carreira foi marcada por parcerias constantes com diretores (Richard Quine, Billy Wilder) e atores (Shirley MacLaine, Walter Matthau). Trabalhou também sob a batuta de Costa-Gavras, Ettore Scola, Altman e Oliver Stone. Dirigiu um só filme, o drama cômico Ainda Há Fogo sob as Cinzas (1972), com sua mulher, Felicia Farr, e o amigo Matthau. Encarnando quase sempre o americano médio, com pouco dinheiro, amores frustrados
e ambições modestas, construiu uma comicidade tingida de melancolia. Essa foi sua mágica.

 

 DVDs

Vício Maldito (1962)

Beber socialmente faz parte das atribuições do relações-públicas Joe Clay (Lemmon), mas se torna um vício. Ao se casar com a secretária de um cliente (Lee Remick), acaba por contagiá-la com seu gosto pela bebida. Esta comédia dramática de Blake Edwards rendeu a Lemmon uma
de suas 9 indicações ao Oscar.

Avanti... Amantes à Italiana (1972)

Empresário casado (Lemmon) vai a Ischia, na Itália,  buscar o corpo de seu pai, que morreu lá. Descobre que ele manteve por décadas um caso com uma inglesa e envolve-se com a filha desta (Juliet Mills),
o que abala suas convicções conservadoras. Deliciosa comédia de erros de Billy Wilder.

O Sucesso a Qualquer Preço (1992)

Numa firma imobiliária de Chicago, executivo inescrupuloso (Alec Baldwin) cria uma competição entre três vendedores (Lemmon, Al Pacino, Ed Harris). Quem vender mais ganha um Cadillac. Quem vender menos perde o emprego. Parábola do neoliberalismo dirigida por James Foley.