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Provocação para poucos

por Orlando Margarido — publicado 09/07/2011 12h02, última modificação 17/07/2011 11h17
Claude Chabrol interpreta "Gainsbourg – O homem que amava as mulheres". Talvez escape ao público o sentido que tem ele reprochar Serge Gainsbourg, outro provocador
Provocações para poucos

Claude Chabrol interpreta "Gainsbourg – O homem que amava as mulheres". Talvez escape ao público o sentido que tem ele reprochar Serge Gainsbourg, outro provocador

Em uma das muitas cenas que se presta à sátira em Gainsbourg – O Homem Que Amava as Mulheres, o personagem ouve, atônito, de seu produtor musical que a canção Je T’Aime... Moi Non Plus pode levar ele e Jane Birkin, sua companheira no dueto e na vida, para a prisão. O papel do arauto cabe a Claude Chabrol, o cineasta francês que morreu em setembro de 2010. Sem a compreensão exata da irreverência de que Chabrol se serviu na trajetória pessoal e no cinema, talvez escape ao público o sentido que tem ele reprochar Serge Gainsbourg, outro provocador, pela ousadia da letra e dos gemidos a sugerir um orgasmo naquela que se tornou o maior sucesso do cantor francês. As referências surgem na tela, travestidas de personagens nem sempre evidentes ao espectador, como Françoise Hardy, France Gall, Brigitte Bardot e a própria Birkin.

Cinebiografias ficcionais de astros da música contemplam o risco, e esta do novato Joann Sfar, que estreia na sexta 8, não se esforça em traduzir todo o universo do homenageado. Profissional dos quadrinhos, Sfar lança-se no cultivo mais pessoal de um Serge Gainsbourg (1928-1991) cuja caricatura funciona como a má consciência do músico. Mas é a investigação de sua infância e origem judaica que traz empatia. Primeiro vem o menino rejeitado por uma garota na escola por sua feiúra. Depois, durante a Paris ocupada pelos alemães na Segunda Guerra , as fantasias peculiares o perseguem. Adulto, na interpretação de Eric Elmosnino, torna-se a figura marcada por boemia, escândalos e autodestruição, mas que não impediram que Gainsbourg ainda fustigasse a direita com uma versão reggae da Marselhesa.

Gainsbourg – O homem que amava as mulheres
Joann Sfar

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