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Poeta da derrota humana

por José Geraldo Couto — publicado 14/12/2011 11h09, última modificação 14/12/2011 11h09
Fritz Lang (1890-1976) foi um dos pilares da arte cinematográfica. De 1919 a1960, realizou 46 filmes em três países (Alemanha, França e EUA), em gêneros que vão do western à espionagem, do melodrama à ficção científica
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Fritz Lang (1890-1976) foi um dos pilares da arte cinematográfica. De 1919 a1960, realizou 46 filmes em três países (Alemanha, França e EUA), em gêneros que vão do western à espionagem, do melodrama à ficção científica. Foto: Photo 12/AFP

Ao lado de Griffith, Eisenstein, Ford e uns poucos outros, Fritz Lang (1890-1976) foi um dos pilares da arte cinematográfica. De 1919 a1960, realizou 46 filmes em três países (Alemanha, França e EUA), em gêneros que vão do western à espionagem, do melodrama à ficção científica, expressando em todos eles, segundo o crítico Andrew Sarris, “a mesma visão soturna do universo, em que o ser humano luta com seu destino pessoal e, inevitavelmente, perde”.

Nascido em Viena, de pai arquiteto e mãe judia convertida ao catolicismo, Lang estudava pintura em Paris quando estourou a Primeira Guerra. Convocado pelo exército austríaco, foi ferido no front italiano. Na convalescença, começou a escrever roteiros. Em 1919 dirigiu na Alemanha seu primeiro filme, Halbblut.

Mas foi com A Morte Cansada (1921) que começou a se firmar comoum dos expoentes do expressionismo alemão. Em seguida, em parceria com a roteirista Thea von Harbou, sua segunda mulher (a primeira se suicidara), engatou uma sequência de obras-primas: Dr. Mabuse, Os Nibelungos, Metropolis, M.

Convidado em 1933 por Goebbels para dirigir o cinema nazista (pois Hitler era admirador de seus filmes), fugiu de trem para Paris. Um ano depois estava em Hollywood, onde se adaptaria aos trancos ao sistema de estúdios para realizar obras extraordinárias como Fúria, Almas Perversas e Os Corruptos, sempre marcadas pelas ideias de traição e vingança.

Desgastado na relação com a indústria, tido como arrogante e autoritário, voltou no final dos anos 50 à Alemanha, onde fez seus últimos filmes, incluindo o retorno de O Diabólico
Dr. Mabuse.