Cultura
Pela antiga vocação
Enquanto a esquerda parece incapaz de lutar contra o que é conservador, Vladimir Safatle crê na a luta pela igualdade social
Neste momento em que a esquerda parece incapaz de lutar contra o que é conservador, quiçá por temer a identificação com seus desacertos históricos do passado, este pequeno livro do colunista de CartaCapital e da Folha de S.Paulo torna-se um corajoso propositor.
O filósofo Vladimir Safatle clama pela vocação esquerdista de transformar um estado de coisas excludente. Contra os elitistas, ele crê, o pensamento de esquerda precisará mostrar aquilo que é inegociável em sua essência, a luta pela igualdade social. Ela deverá manter o pudor de não ser recebida “em casas de escroques na Riviera Francesa”. A luta por um salário máximo será bem-vinda. Deve-se investir contra as fortalezas identitárias e experimentar direitos ainda não incorporados ao Estado de Direito, como ensina Claude Lefort.
Com a alma do cordel
Manu maltez parece ser um contrabaixista com alma de rabequeiro. Por rabeca, entenda-se a alma nordestina do cordel. E Maltez também é um artista plástico ligado à música, premiado por ilustrações como as de O Corvo, de Edgar Alan Poe. Além disso, escreve, certo como aqui: “Notas agudas que se cuidem: gritinhos abafados pela clave de fá. Tudo o que ele queria era tocar”. A alma, como ele a entende neste livro, tem sentido duplo.
A primeira é a que se vende ao diabo em troca do talento, como ensinou Goethe em Fausto. E alma é também a minúscula peça de madeira que dá sustentação sonora a este difícil, grave instrumento de cordas. Há em O Diabo Era Mais Embaixo todo o tom poético permitido a um livro que, não se sabe, nasceu para ilustrar versos ou versificar desenhos nervosos e intimistas.
Neste momento em que a esquerda parece incapaz de lutar contra o que é conservador, quiçá por temer a identificação com seus desacertos históricos do passado, este pequeno livro do colunista de CartaCapital e da Folha de S.Paulo torna-se um corajoso propositor.
O filósofo Vladimir Safatle clama pela vocação esquerdista de transformar um estado de coisas excludente. Contra os elitistas, ele crê, o pensamento de esquerda precisará mostrar aquilo que é inegociável em sua essência, a luta pela igualdade social. Ela deverá manter o pudor de não ser recebida “em casas de escroques na Riviera Francesa”. A luta por um salário máximo será bem-vinda. Deve-se investir contra as fortalezas identitárias e experimentar direitos ainda não incorporados ao Estado de Direito, como ensina Claude Lefort.
Com a alma do cordel
Manu maltez parece ser um contrabaixista com alma de rabequeiro. Por rabeca, entenda-se a alma nordestina do cordel. E Maltez também é um artista plástico ligado à música, premiado por ilustrações como as de O Corvo, de Edgar Alan Poe. Além disso, escreve, certo como aqui: “Notas agudas que se cuidem: gritinhos abafados pela clave de fá. Tudo o que ele queria era tocar”. A alma, como ele a entende neste livro, tem sentido duplo.
A primeira é a que se vende ao diabo em troca do talento, como ensinou Goethe em Fausto. E alma é também a minúscula peça de madeira que dá sustentação sonora a este difícil, grave instrumento de cordas. Há em O Diabo Era Mais Embaixo todo o tom poético permitido a um livro que, não se sabe, nasceu para ilustrar versos ou versificar desenhos nervosos e intimistas.
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