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Peça "Acordes" dialoga com o binômio da "ajuda" e da "violência"

por Paloma Rodrigues — publicado 28/06/2013 13h20
Associação Teatro Oficina apresenta duas sessões únicas de peça que questiona e reflete sobre o papel do povo nas grandes mudanças
Divulgação
Bertold

A ópera de Bertolt Brecht foi escrita em 1929

“Essas manifestações são uma maneira do povo dizer que não quer mais ajuda, mas uma transformação real na maneira de formar relações”. É o que afirma Beto Metting, ator da Associação Teatro Oficina Uzyna Uzona, que apresentará neste fim de semana, em São Paulo, duas sessões da peça Acordes, baseada em texto adaptado de Bertolt Brecht. O musical estava em cartaz no ano passado, mas foi retomado agora diante das recentes manifestações pelo país. “Sentimos a necessidade artística de atuar nesse contexto, como um ato de arte pela cultura”, diz Metting.

Contribuiu para o desejo de trazer a peça de volta a localização do Teatro Oficina. O teatro fica no centro de São Paulo, palco de diversos protestos contra o aumento das tarifas de transporte público  – que incorporaram outras pautas ao longo das semanas. Os ensaios do próximo espetáculo do grupo – Cacilda, a estrear no segundo semestre de 2013 – eram realizados ao som das marchas cantadas pela população e das bombas de efeito moral lançadas pela polícia.

O texto de Brecht, dramaturgo e poeta alemão do século XX, convida o público a participar e decidir entre “sim” e “não” sobre ajudar um grupo de aviadores, representado pelos atores do coletivo, que sobreviveram a um acidente aéreo e agora precisam de pão, água e travesseiros. A peça gira em torno da tese de que deixar de prestar ajuda pode ser considerado um ato violento, enquanto prestar ajuda também pode representar uma forma de opressão. Diante disso, a peça traz uma reflexão sobre o papel da multidão – interpretada pelo plateia durante o espetáculo – dentro do contexto das mudanças.

Segundo os atores, muitos espectadores se envolvem pelo "sim", pela ajuda imediata aos aviadores sem refletir sobre a questão. Mas a obra segue tentando fazer o espectador pensar sobre as consequências que implicam sua decisão.

A peça, atemporal, se encaixa perfeitamente na conjectura atual. Entretanto, a condução da transformação também preocupa a produção. “A pauta estava ótima, mas percebemos que ela tomou muitos rumos diferentes de algumas semanas para cá. Cada grupo começou a levantar uma bandeira”, diz a fotoatuadora do grupo, Jennifer Glass. “Nós queríamos questionar: “com o que você está de acordo”?”

Todas as sessões serão transmitidas ao vivo pelo site do Teatro Oficina e os ingressos têm o valor único de R$ 3,00.

Acordes, a partir da obra de Bertold Brecht
Direção: José Celso Martinez Corrêa e antropofagiada pela Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona
Codireção: Catherine Hirsch, Camila Mota e Marcelo Drummond
Direção Musical: Felipe Botelho e Montorfano
Data e horário: 29 e 30 de junho, sábado e domingo, às 18h

Local: Teatro Oficina (Rua Jaceguai, 520)
Indicação etária: 14 anos
Duração: 180 minutos, sem intervalo
Ingressos: R$ 3,00 para todos. Bilheteria abre 1 hora antes do início das sessões