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Cultura

Calçada da Memória

Os reis da fuzarca

por José Geraldo Couto — publicado 26/06/2011 19h10, última modificação 28/06/2011 20h00
Os irmãos Marx, filhos de uma alfaiate francesa e de uma cantora de vaudeville alemã, logo perceberam que eram, antes de tudo, engraçados. Por José Geraldo Couto
Os reis da fuzarca

Os irmãos Marx, filhos de uma alfaiate francesa e de uma cantora de vaudeville alemã, logo perceberam que eram, antes de tudo, engraçados. Por José Geraldo Couto

Filhos de um alfaiate francês e de uma cantora de vaudeville alemã, ambos judeus, os Irmãos Marx, criados nas ruas pobres de Manhattan, foram inicialmente um grupo musical. Chico (1887-1961) tocava piano, Harpo (1888-1964) dedilhava harpa e outros instrumentos, Groucho (1890-1977) tocava bandolim e cantava.

Logo perceberam que eram, antes de tudo, engraçados, e a música ficou em segundo plano. Surgia o grupo de humor mais anárquico da história. Primeiro conquistaram a Broadway. Chegaram a Hollywood em 1929, no início do cinema sonoro.

Os primeiros filmes, na Paramount, foram adaptações de sucessos no palco, como No Hotel da Fuzarca e Os Galhofeiros, que cristalizaram a persona de cada um: Chico era o malandro das ruas, com sotaque italiano; Groucho, o bigodudo loquaz
e sarcástico; Harpo, o mudo ao mesmo tempo doce
e meio selvagem. O caçula Zeppo participou de cinco longas, mas não chegou a criar um tipo.

A linha narrativa dos filmes, entremeada de números musicais, era mero pretexto para os Marx instaurarem o caos. Na MGM, o chefão Irving Thalberg propiciou-lhes roteiros mais elaborados
e produção sofisticada. O resultado foram dois dos seus maiores êxitos:
Uma Noite na Ópera e Um Dia nas Corridas.

A era de ouro dos Marx foram os anos 30. Depois vieram as brigas internas e o desgaste das piadas. Fizeram na United Artists os dois últimos filmes (Uma Noite em Casablanca e Loucos de Amor) para pagar dívidas de jogo de Chico, que passou a fazer shows e programas de rádio sozinho ou com Harpo, enquanto Groucho seguia carreira-solo no cinema. Mas a louca magia tinha acabado.

No Hotel da Fuzarca (1929)

No primeiro longa dos Marx, dirigido por Robert Florey, os irmãos tomam conta de um hotel chique e decadente na Flórida, leiloam terrenos e impedem um roubo de joias. Margaret Dumont, que se tornaria praticamente uma integrante do grupo, faz a típica milionária com que Groucho flerta tentando um golpe do baú.

Uma Noite na Ópera (1935)

Os Marx navegam da Europa à América com uma companhia italiana de ópera: Groucho como empresário, Chico e Harpo como clandestinos. Antes da estreia, em Nova York, eles tentarão afastar o maléfico tenor titular e colocar um amigo em seu lugar. Entre as cenas mais célebres está a da cabine de navio abarrotada de gente.

O Diabo a Quatro (1933)

Groucho vira presidente da república da Freedonia e declara guerra à vizinha Sylvania, dos ineptos espiões Chico e Harpo. Groucho tenta conquistar uma milionária (Margaret Dumont), que empresta dinheiro
ao governo. O diretor Leo McCarey disse depois: “O mais incrível é eu não ter enlouquecido. Eles eram totalmente doidos”.