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Oriente em fragmentos

por Redação Carta Capital — publicado 09/01/2011 13h44, última modificação 10/01/2011 09h04
Em "Outras Cores", o turco Orham Pamuk tece um retrato multifacetado de seu país, das memórias familiares e de suas leituras. Por Ana Lúcia Trevisan

Outras Cores, de Orham Pamuk

Por Ana Lúcia Trevisan

Em Outras Cores, o turco Orham Pamuk tece um retrato multifacetado de seu país, das memórias familiares e de suas leituras. O texto mistura diferentes tempos e assuntos, elaborando de forma fragmentada as muitas experiências do escritor. Ele transita pela infância, pelos temas religiosos e políticos e, principalmente, pelos muitos significados da literatura, a grande protagonista desses escritos. Liga o presente ao passado quando compartilha as experiências e, assim, cada leitor pactua com suas verdades, vivenciadas no encontro com os textos de ficção.
Todo escritor é também leitor, entendemos nas entrelinhas. Quem escreve lê a vida, as paisagens,  os homens à sua volta  e também os livros que o legado universal estabelece. Pamuk revela um olhar de leitor exímio e intrigado, imprimindo em seus ensaios uma percepção aguçada do ato de ler
e de escrever.
Na obra, os olhares do Ocidente e do Oriente se entrecruzam nas fronteiras da leitura e a vida em Istambul percorre cada página, em sua essência cotidiana trágica e também em sua força simbólica. O detalhe mais ínfimo de uma rua da cidade permite que as angústias humanas se revelem. O autor mostra que um pouco de vida em estado bruto sempre pode surgir pelas cores da ficção.
Ao final dos relatos há um conto breve e também o discurso pronunciado pelo autor quando recebeu o Prêmio Nobel, em 2006. Duas narrativas, dois gêneros se entrelaçam na fina delicadeza das memórias individuais e, novamente, surge o diálogo submerso entre literatura e vida, imprescindível quando é preciso refletir sobre o convívio com o outro.