Você está aqui: Página Inicial / Cultura / Onde anda Pedro das Flores?

Cultura

Cariocas (Quase Sempre)

Onde anda Pedro das Flores?

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 03/10/2010 21h10, última modificação 03/10/2010 21h14
Na noite de algumas décadas atrás, havia sempre um vendedor de flores que aparecia para constranger, aporrinhar ou encantar o cliente do mais sujo dos pés sujos ou do mais fino dos restaurantes finos

Como diria Tim Maia, é primavera. Mesmo quem não costuma frequentar mais tão amiúde a noite percebe que os personagens que faziam parte do folclore de bares e restaurantes de antes já não estão mais vagando, andando, trabalhando, bar em bar. O caleidoscópio gira, e como os tempos que mudam, morrem os costumes como morrem as pessoas queridas.

Também na primavera, e bem no dia da chegada da estação, nossos amados não nos poupam da dor de nos deixar. O pior é que sabemos que eles não desejavam partir. Mas vão virar pólen e desaparecerão pelo ar até semear outras flores.

Na noite de algumas décadas atrás, havia sempre um vendedor de flores que aparecia para constranger, aporrinhar ou encantar o cliente do mais sujo dos pés sujos ou do mais fino dos restaurantes finos. Podia ser o Pedro das Flores, que ficou famoso por seu garbo, e virou folclore na noite carioca lá pelos anos 60. Muito embora fosse meio chato e por vezes grosseiro.

O Pedro das Flores era a Sarita Montiel do Rio, era a nossa La Violetera. O florista, que só andava de smoking e era pessoa de uma elegância só, inspirou até uma marcha-rancho de autoria de Luiz Antonio, com o seu nome gravada por Helena de Lima: “Lá vem o Pedro das Flores, perfumes traz, perfuma amores”. Na internet há um dueto da cantora com Miltinho que vale a pena tocar.

O Pedro das Flores acabou por dar ideia a outros Josés e a profissão se popularizou nas noites cariocas de outrora. A mais famosa era uma mulata, também elegante, de longa, mas seu nome se perdeu na madrugada de outrora.

Se houvesse um homem acompanhado de uma mulher, surgia do nada um vendedor de flores, como ainda surgem hoje os pagodeiros, principalmente para quem se aventura a ir a um bar na orla.
Mesmo que o casal não passasse de primos de primeiro grau, daqueles que nunca pensaram em comprometer o nome da família, o que era difícil de se achar, o florista oferecia uma rosa envolta num papel laminado.

Geralmente a flor já estava mais pra lá do que pra cá. Mas uma rosa vale mais que mil palavras e que mil lugares comuns que se interponham entre os sentimentos. E se o lugar é comum, atire a primeira pedra a mulher que não gostou ou desejou uma dia receber uma rosa de um amigo ou do amado comprada de um vendedor de flores pelo seu acompanhante.

No princípio, receber e dar rosas assim era o máximo. Mas com o passar do tempo virou um mico. A mulherada desprezava o homem que lhe comprasse uma rosa, ou a aceitava para lá de constrangida. Talvez, a banalização da rosa tenha colaborado para que os “pedros das flores” passassem para a categoria de lembrança principalmente quando entra a primavera. Dizem os cínicos, que hoje, nas discotecas e lounges, outros produtos são oferecidos. Mas sorrateiramente, muitas vezes nos banheiros.

Eles estão chegando... Há dias, a ONU anunciou ter escolhido o terráqueo – no caso, a terráquea - encarregado de receber um ser alienígena, quando um ET resolver descer de um disco-voador, e fizer um contato de terceiro grau, para valer. Se é que já não fez, mas o pessoal, como diria Stanislaw Ponte Preta, achou melhor ficar na moita.
A embaixadora será a astrofísica malaia Mazlan Othman, cujo nome já é para lá de esquisito. Será ela uma daquelas invasoras, de filme, que já sabe em que língua se entender? Há quem garanta, à boca pequena, que Spielberg, Lucas e outros cineastas tem feitos filmes sobre alienígenas para irmos nos acostumando ao dia em Othman for convocada.

Dona Mazlan é a chefe da Agência de Assuntos Extra Terrestres das Nações, UNOOSA em Inglês (UN’s Office for Outer Space Affairs), repartição de que ninguém ouvira até agora falar. Ela já preparou, inclusive, um pequeno discurso a ser dito para o gajo quando ele aterrissar.

‎Esta notícia saiu meio escondida no Globo, com alguns intrigantes detalhes a mais. Ela significa o seguinte, falando sério: se a ONU já tem uma representante da Terra para receber os Alienígenas, inclusive com a frase de saudação (- "Me, Mazlan, You, Klaatu?", talvez), isso quer dizer que há planetas habitados em outras Galáxias. E, por enquanto, estaremos conversados.