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Obra-mãe da literatura russa

por Renato Pompeu — publicado 18/02/2011 10h15, última modificação 18/02/2011 10h15
Três das mais importantes e mais bem-acabadas obras-primas da literatura russa, os contos O Capote, O Nariz e Diário de um Louco, todos de Nikolai Gógol

Três das mais importantes e mais bem-acabadas pequenas obras-primas da literatura russa, os contos de Nikolai Gógol (1809-1852) O Capote, O Nariz e Diário de um Louco, estão reunidas no volume O Capote e Outras Histórias, muito bem traduzidas, diretamente do russo, por Paulo Bezerra (tradicionalmente, as edições brasileiras de ficção russa eram feitas a partir da tradução francesa). Perfeito na forma e no conteúdo, o conto O Capote foi considerado por ninguém menos que o escritor Fiódor Dostoievski como a obra inaugural da grande literatura russa.
Um pequeno funcionário de repartição do império russo aparece com um vistoso casaco, e o episódio serve para Gógol retratar as incongruências da tão rigorosamente estamental sociedade russa, um senso de rígida hierarquização entre as pessoas que atravessou o czarismo, o comunismo e chega até a Rússia de Vladimir Putin. Em O Nariz, um nariz chamativo adquire vida própria e Diário de um Louco impressiona pela precisão quase psiquiátrica com que Gógol descreve a doença mental. Completam o livro duas narrativas menos conhecidas do autor, referentes ao folclore ucraniano, Noite de Natal

e Viy.
O Capote e outras histórias, de Nikolai Gógol, editora 34, 37 reais