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Calçada da Memória

O senhor da paródia

por José Geraldo Couto — publicado 22/10/2012 17h08, última modificação 22/10/2012 17h08
Mel Brooks, iconoclastia e talento para elevar seus filmes "abaixo da vulgaridade"
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Mel Brooks, iconoclastia e talento para elevar seus filmes "abaixo da vulgaridade"

“Para cada dez judeus que se lamentam batendo no peito, Deus designou um para ser louco e divertir os outros. Desde os cinco anos” eu sabia que era esse um.” A frase é de Mel Brooks, um dos nomes incontornáveis da comédia no cinema.

Filho de imigrantes judeus russos, Brooks nasceu no Brooklyn, em Nova York, e atuou desde a adolescência como comediante em hotéis dos Montes Catskills. No início dos anos 1950, tornou-se redator do programa de TV Your Show of Shows, de Sid Caesar, ao lado de Woody Allen e Neil Simon.

Foi um dos criadores da série televisiva Agente 86, antes de estrear na direção de cinema com Primavera para Hitler (1968), que lhe valeu o Oscar de roteiro. Essa sátira corrosiva, em que um produtor de teatro falido monta um ultrajante musical sobre o nazismo, estabeleceu as bases de seu humor feroz e iconoclasta.

A partir daí, Brooks se dedicou a parodiar, com crescentes recursos e sofisticação de linguagem, os mais variados gêneros: o western em Banzé no Oeste, o terror em Jovem Frankenstein, o suspense em Alta Ansiedade, o cinema mudo em A Última Loucura de Mel Brooks, a ficção científica em S.O.S. – Tem um Louco Solto no Espaço.

Trabalhando com uma trupe constante, que incluía às vezes sua mulher, Anne Bancroft, impulsionou a carreira de atores como Gene Wilder, Marty Feldman, Madeline Kahn e Dom DeLuise. Criou em 1979 a própria produtora, cujo primeiro lançamento foi O Homem Elefante, de David Lynch. Hoje, com 86 anos, está praticamente aposentado. Aos que acusam seu humor de vulgar, rebate com um paradoxo: “Meus filmes se elevam abaixo da vulgaridade”.

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