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Crítica

O risível filme de Madonna

por Redação Carta Capital — publicado 05/09/2011 11h30, última modificação 05/09/2011 12h24
Dirigido pela popstar, W.E. fracassa ao tentar redimir a figura de Wallis Simpson, mulher de Eduardo VIII, que desistiu do trono inglês para viver o romance na década de 30

A nova produção de Madonna, exibida no festival de Veneza, W.E., conta a história de Wallis Simpsons, Duquesa de Windsor, casada com o herdeiro do trono inglês Eduardo VIII e protagonista da “história de amor do século XX” durante a década de 30. Mas, se como afirmou a autora, o filme tinha a intenção de redimi-la – Wallis foi responsável pela desistência de seu marido ao trono e sua figura sempre foi relacionada com uma simpatia demasiada pelo nazismo – falhou.

Xan Brooks, crítico do jornal inglês The Guardian, afirma que o roteiro é humilhante e faz com que Wallis pareça uma piada. E, se a intenção do retrato era de fato uma homenagem sincera, o filme é ainda mais cruel com a duquesa. “Risível”, definiu o crítico. A crítica do The Guardian,uma das publicações mundiais mais influentes, é um termômetro da recepção que o filme tem tido na imprensa.

O filme contrapõe Wallis e a sua escalada pela nobreza e Walli, uma mulher da década de 90 e espécie de alter-ego de Madonna. “Wally, ao que parece, recebeu seu nome por causa de Wallis e é obcecada por ela em um grau que meu deixou profundamente ressabiado, mas que Madonna apresenta como uma evidência de seu bom gosto impecável”, diz o crítico.

Madonna realiza um diálogo entre as duas mulheres. A duquesa aparece para Wally em seus piores momentos e promete a ela que tudo ficará bem. “E poucas vezes, uma promessa pareceu mais uma ameaça do que como essa”, diz Brooks. Madonna quer que as duas pareçam como irmãs gêmeas, lançando elementos para a identificação de ambas. O primeiro marido de Wallis batia nela e o marido de Walli aparece reclamando que o nobre casal e adoração de sua esposa eram simpáticos ao nazismo. Ao que Walli responde: “Eles podem ter sido ingênuos, o que não significa que tenham sido nazistas”.

“É um filme extraordinariamente bobo, vaidoso, fatalmente mal conduzido”, diz a crítica. “A direção é tão ruim que quase não se qualifica como uma direção”. Qual seria então a razão para este filme, questiona ele? “Seria a alpinista social Wallis Simpson a primeira punk-rock do mundo?.  Meu palpite é de que ela poderia ter tido Wallis vestida como um palhaço, saltando de bungee-jumping Torre Eiffel ao som de The Song Birdy e teria servido a sua história tão bem quanto”, conclui.