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O novo repro­duzido

por Orlando Margarido — publicado 02/04/2011 12h43, última modificação 02/04/2011 12h43
A ideia de reprodução sempre foi central na arte de Gerty Saruê, mas isto não é talvez o que a diferencie de seus pares que adotaram caminho semelhante

A ideia de reprodução sempre foi central na arte de Gerty Saruê, mas isto não é talvez o que a diferencie de seus pares que adotaram caminho semelhante.

O que a torna particular tem mais a ver com a diversidade e longevidade conquistadas para exercer essa prática. Em quatro décadas, a austríaca de 80 anos radicada no Brasil desde os anos 50 experimentou as colagens, cópias eletrostáticas, transparências, heliografias, plantas de arquitetura, superposições, o xerox e tantos outros recursos
nas técnicas que melhor se prestam a um resultado multiplicador, como a serigrafia e a gravura. É dessa variedade e da curiosidade pelo novo que trata o livro Gerty Saruê, com organização da crítica e curadora Taísa Palhares e do artista plástico Thiago Honório.

Sem a pretensão de ser definitivo, provável reconhecimento de uma riqueza ainda não esgotada, o volume reúne as principais fases com respectivos textos de especialistas. Tem início em 1966 com as assemblages, reunião de materiais diversos para uma obra, e que Rodrigo Naves melhor qualifica em seu texto. “Pedaços de madeira e objetos de ferro eram justapostos e sobrepostos, com a intenção de obter vínculos que os livrassem
de sua presença utilitária e banal, revelando aspectos que seu simples uso nos impedia de ver.” Poucos anos depois, Gerty provaria das monotipias, nas quais já apresenta seu rico universo de signos, letras, números e caracteres, “a linguagem dos símbolos mecânicos”, como apontaria Mario Schenberg. Daí, a exemplo do offset Abecedário, de 1973, esse processo não só evoluiria no formato “de parede”, das ilustrações de livros, como também se ampliaria para instalações e interferências em São Paulo, em parceria com o constante amigo Antonio Lizárraga.

GERTY SARUÊ
Edusp, 200 págs., R$ 95