Você está aqui: Página Inicial / Cultura / O novo papa, a rivalidade e o futebol

Cultura

Vaticano

O novo papa, a rivalidade e o futebol

por Redação Carta Capital — publicado 14/03/2013 12h17, última modificação 14/03/2013 13h37
Catimba, mullets, doce de leite na hóstia, canonização de Maradona: as brincadeiras de internautas sobre o 1º papa argentino

Não foi só o eixo da Igreja Católica que migrou em direção ao Sul com a eleição do primeiro papa latino em mais de 2.000 anos de história. Durante o Conclave, as brincadeiras nas redes sociais citavam sommeliers de fumaça (para alguns, a profissão do futuro devido à dificuldade em identificar a cor do sinal) e possíveis amareladas do cardeal escolhido, tal como no filme Habemmus Papam de Nanni Moretti. Em segundos, ganharam cores e jargões futebolísticos. A rivalidade Brasil x Argentina deu o tom das piadas, a maioria delas catalisada pelo colunista José Simão, da Folha de S.Paulo.

“Argentina 1 X 0 Brasil. Dom Odilo amarelou!”, escreveu Simão. “Papa argentino não pode, porque argentino pensa que é Deus. Acúmulo de funções! Aliás, argentino foi rebaixado: de Deus para papa! E diz que a escolha demorou porque era papa argentino. Tava catimbando!”

E finalizou: “A Argentina pode ter um papa, mas nós temos o Inri Cristo e o Edir Macedo”.

Pelas redes, começaram a pipocar fotos do papa Francisco com a camisa do Boca Juniors e a inscrição:  “quem tem Boca vai a Roma”. O papa, vale lembrar, é torcedor do San Lorenzo.

Outros lamentavam que, agora, os argentinos teriam motivos de sobra para encerrar a rivalidade com os brasileiros com sua lista de troféus: já tinham medalha de ouro no futebol, prêmio Nobel (da Medicina, da Química e da Paz) e dois Oscar de melhor filme estrangeiro (o último, por O Segredo de Seus Olhos). Sem contar o melhor jogador de futebol do mundo nas últimas quatro temporadas..."Melhor focar no samba", sugeriu um internauta.

Teve brasileiro que, indignado, pediu “Diretas Já” para escolha do próximo papa. Houve também quem, já conformado, brincasse com possíveis mudanças na liturgia católica com a chegada de um papa argentino: sai a hóstia e entra o alfajor consagrado; sai o vinho e entra o doce de leite. E mais: "Papa muda nome da missa pra messi"; "Perder as Malvinas e ganhar um papa na mesma semana. Não se morre de tédio na Argentina"; "Dizem que o novo papa é o homem mais importante do mundo. E um dos mais importantes da argentina; "Anunciada a nova SANTÍSSIMA TRINDADE: DON FRANCISCO, DON DIEGO E DON LIONEL; "Primeira medida do Papa: Concílio Malvinas Devolvenovarum!"

Alguns não perdoaram e disseram estranhar que, por ironia, o papa argentino não usava mullets. Sobrou também para Dom Odilo Scherer, um dos favoritos antes do Conclave que, segundo a brincadeira, deveria recorrer ao Supremo Tribunal Federal para reverter a decisão em ação conjunta com o jornal Zero Hora, entusiasta da candidatura de um gaúcho à Santa Sé. A aposta é que a manchete do jornal no dia seguinte seria: "novo papa é QUASE gaúcho".

As sacadas, porém, não se limitaram às redes sociais. O presidente interino da Venezuela, Nicolás Maduro, conseguiu relacionar a escolha de um cardeal sul-americano a uma intercessão de Hugo Chávez, morto na semana passada, nos céus. “Sabemos que o nosso comandante subiu às alturas e está face a face com Cristo. Alguma ‘nova mão’ chegou e Cristo lhe disse ‘bem, agora é a hora da América do Sul’.” Parecia piada, mas não era.

A capa da página eletrônica do Olé, principal diário esportivo da Argentina, trazia a manchete: “La Mano de Dios”. Era uma referência ao gol de mão marcado por Diego Maradona no jogo contra a Inglaterra nas quartas-de-final da Copa de 1986. Maradona, aliás, era figuras frequente nos trocadilhos relacionados à fumaça da chaminé e a uma futura canonização-relâmpago promovida pelo papa conterrâneo. O ídolo argentino estampava ainda fotos-montagens com a placa “Eu Já Sabia” e acenando para os fiéis com um charuto. Na vida real, o ex-jogador declarou, por meio de seu advogado: “Quando eu for à Itália, espero poder ter uma audiência com ele”.

Outro ídolo argentino, Carlos Gardel, também foi lembrado. Pelo Facebook, a música Por Una Cabeza era compartilhada aos montes. Seria, segundo os usuários, a trilha sonora do dia na pequena Cerro Largo, terra de Dom Odilo, àquela altura um antigo ex-favorito para suceder Bento XVI.

Sobre o papa emérito, as apostas era sobre o que faria a partir de agora. Ganharia um talk show na Rede Vida? Faturaria cobrando por palestras a executivos? A depender dos internautas, trabalho não vai faltar para o novo velho papa.

registrado em: ,