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Cultura

Exposição

O mundo rico de Di Cavalcanti

por Orlando Margarido — publicado 29/04/2012 11h15, última modificação 29/04/2012 11h15
O pintor Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, ou apenas Di Cavalcanti, foi vítima dos próprios exageros na vida e na arte
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Perto do mar. Descanso dos pescadores, 1920

O pintor Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, ou apenas Di Cavalcanti, foi vítima dos próprios exageros na vida e na arte. Pagou com a primeira os excessos da boemia e seus alentos, a bebida e as mulheres. Mas soube dela tirar proveito. Contava 79 anos quando morreu, em 1976, por complicações de cirrose. Da mesma forma, fez render ao máximo seu pincel, e não só pelo prazer de pintar. As extravagâncias lhe custavam altas somas. O artista pintou muito, nem sempre bem, tornando a produção irregular. Da melhor fase são raros os lotes como este de nove trabalhos agora disponibilizado pelo marchand Paulo Kuczynski em seu escritório de arte até 28 de maio.

Para além do tema das mulatas, com o qual Di se notabilizaria a partir dos anos 1940, a mostra traz morenas voluptuosas, mestiços, gente do povo em geral, retratados em duas décadas anteriores. No universo encaixam-se, por exemplo, Descanso dos Pescadores, óleo sobre tela dos anos 1920 que teria sido presenteado a José Lins do Rego por Portinari, dado irônico, pois os dois viriam a ser ácidos rivais.Também são referências A Mulher do Caminhão e A Mulher no Divã, ambos trabalhos de 1932, a segunda com o desenho Cena do Porto no verso. Há ainda curiosidades como a aquarela Poeta com Flor, ilustração para poema de Oswald de Andrade. Tudo leva a crer que a caricatura roliça em questão seja o próprio homenageado, mas há indícios de um autorretrato de Di Cavalcanti, apreciador que era de um festim gastronômico.