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Cultura

Cariocas (quase sempre)

O mundo da bola veio ao Rio

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 22/11/2010 18h01, última modificação 22/11/2010 18h01
Reunião anual da elite do futebol mundial movimenta o Forte de Copacabana

Reunião anual da elite do futebol mundial movimenta o Forte de Copacabana

O que já se diz nos bastidores da Soccerex, reunião anual em que, até 2013, a elite do futebol mundial discutirá, no Rio, os negócios do popular esporte bretão: a Candidatura Ibérica (como vem sendo chamada a união Portugal/Espanha para sediar a Copa do Mundo de 2018) é a que tem mais chances de realizar a competição.

Embora os representantes dos demais países interessados – Inglaterra, Rússia, Bélgica/Holanda – já estejam no Rio para fazer seu lobby junto à Fifa e patrocinadores, Portugal e Espanha, em conjunto, são os que têm condições de realizar, mesmo hoje, um campeonato mundial, ou em 1914, se o Brasil der para trás (como a Colômbia, em 1986).

A Candidatura Ibérica oferece mais de 85 mil quartos em hotéis (acima do mínimo de 60 mil exigidos pela Fifa), maior número de estádios prontos e com a capacidade necessária, menores custos de investimentos e a possibilidade de colocar à venda um número muito maior de ingressos, pelo tamanho das torcidas locais.

A Inglaterra vai lutar para vencer, pois tem estádios também prontos, mas um número muito baixo de acomodações fora de Londres – que de certa maneira atrapalha a candidatura, por ser a sede das Olimpíadas de 2012. Austrália, Japão, Coreia do Sul, Catar e Estados Unidos são também candidatos, mas vão deixar claro, na Soccerex, que acham melhor sediar a Copa de 2022.

A Liga Americana seria a preferida dos cartolas fifenses, pois oferece as mesmas condições que os ibéricos, e são capazes também de organizar a Copa do Mundo de 2014, num forfait brasileiro de última hora. Os americanos foram os primeiros a chegar, fazendo inclusive lobby junto à CBF.

Trata-se, portanto, da última oportunidade para influenciar aqueles que vão decidir onde serão as próximas Copas, antes que a direção da Fifa faça as escolhas. Todos os nove países têm estandes e farão coquetéis diários para que seus lobistas entrem em ação.

Mas a Soccerex carioca não ficará somente nesse palpitante assunto sobre os futuros países-sede das Copas do Mundo. Sediada no Forte de Copacabana até dia 24, a reunião promete gerar uma receita de 150 milhões de dólares anuais, até 2013, para o Rio.

Nos últimos anos, como nas realizadas na África do Sul, a Soccerex reuniu mais de 25 mil executivos do mundo do futebol de 120 países – uma ONU. Movimentou grandes negócios – como o patrocínio do Real Madrid pela Bwin (o poderoso site de apostas on-line) – e levantou discussões sobre o uso de tecnologias para ajudar os árbitros –, pois durante um desses encontros na África do Sul houve, na Europa, a mão de Henry, na partida da França x Irlanda, pelas eliminatórias de 2010. Usando o velho chavão, ela é mesmo um negócio da China: em Gauteng, África do Sul, injetou 120 milhões de libras em negócios gerados, entre 2007-2009. Em Dubai, de 2001 a 2006, foram 30 milhões de libras anuais.

Esta Soccerex Global Convention no Forte de Copacabana (que ganhou uma estrutura de 6.350 metros quadrados para abrigar a área de exposições, com restaurante, auditórios e estandes) terá como uma de suas atrações o João Havelange Legacy Panel, em que um grupo de especialistas e figuras-chave debaterá a responsabilidade social da indústria do futebol e seu legado após a Copa do Mundo de 2014.

Além disso, vão ser discutidos o marketing, licenciamento, tecnologia, cobertura de tevê, patrocínios, estádios e, claro, a Copa de 2014 no Brasil. Danny Jordan, CEO do Comitê Organizador da Copa da África do Sul, este ano, falará sobre sua experiência diante do evento, trocando informações com os brasileiros.

Num campo de futebol armado em frente ao Copacabana Palace haverá um torneio reunindo ex-craques como Carlos Alberto Torres, Ruud Gullit, Philip Cocu, Batistuta e Bebeto, entre outros ídolos, em equipes do Brasil, Argentina, Inglaterra e Holanda.

E para não dizer que tudo no Rio não acaba em samba, haverá, na noite do dia 23, no Pão de Açúcar, o Sugar Loaf Extravaganza, festa de gala para os visitantes estrangeiros da Soccerex.