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Cultura

Calçada da Memória

O mestre da tela grande

por José Geraldo Couto — publicado 19/07/2012 11h38, última modificação 19/07/2012 11h38
David Lean, o controverso poeta de amplos espaços
A Passage to IndiaYear: 1984Director: David LeanDavid LeanShooting picture

David Lean, o controverso poeta dos amplos espaços

Sir David Lean (1908-1991) é um daqueles cineastas que suscitam divergências radicais. Para uns, ele praticou uma estética de cartão-postal. Para outros, foi um poeta dos amplos espaços. Nascido em Croydon, na Inglaterra, curiosamente Lean foi impedido de ver filmes na infância devido aos rígidos preceitos quáquer da família. Entrou num estúdio em 1927, como contínuo, depois passou a assistente de câmera e, finalmente, montador.

Seu primeiro longa, em codireção com o escritor Noel Coward, foi o drama de guerra Nosso Barco, Nossa Alma (1942). Em seguida realizou adaptações de peças de Coward e romances de Charles Dickens, como Grandes Esperanças e Oliver Twist. Seu Desencanto (1945), extraído de uma peça de Coward, ganhou o prêmio principal em Cannes e lhe deu prestígio internacional.

Uma década depois, a tela se ampliou espetacularmente. O épico A Ponte do Rio Kwai (1957), que conquistou sete Oscars, deu início a uma nova fase na carreira do diretor, com dramas psicológicos encenados contra um pano de fundo histórico: o mundo árabe na obra-prima Lawrence da Arábia, a Revolução Russa em Doutor Jivago, as lutas pela independência da Irlanda em A Filha de Ryan, o ocaso do imperialismo britânico em Passagem para a Índia.

Ambicioso nos temas e meticuloso na realização, Lean passou a espaçar cada vez mais suas produções. Preparou durante anos uma adaptação do romance Nostromo, de Conrad, mas morreu de câncer semanas antes do início das filmagens. Acusado de acadêmico pela crítica europeia, foi exaltado como mestre por diretores como Sergio Leone, Spielberg, Lucas e Scorsese.

DVDs

Desencanto (1945)
Uma dona de casa (Celia Johnson) e um médico (Trevor Howard) se conhecem por acaso no café da estação de trens de Milford. Embora ela seja casada, eles passam a se encontrar toda quinta-feira. Tido hoje como um clássico do cinema romântico, o filme foi demolido por Truffaut por sua pudicícia e ausência de carnalidade.

A Ponte do Rio Kwai (1957)
Prisioneiros britânicos de guerra são convencidos por seu comandante, coronel Nicholson (Alec Guinness), a construir uma ponte para seus inimigos, os japoneses, na Tailândia. Filmado
no Ceilão (hoje Sri Lanka), este clássico da Segunda Guerra Mundial ganhou sete Oscars, inclusive os
de filme, direção e ator (Guinness).

Oliver Twist (1948)
O órfão Oliver Twist (John Howard Davies) foge do reformatório e passa a viver nas ruas de Londres praticando roubos sob as ordens de um ladrão (Alec Guinness). A mais bem-sucedida adaptação do romance de Dickens, publicado em 1838. Sua primorosa reconstituição de época foi premiada no Festival de Veneza.