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O dom de contar e iludir

por Orlando Margarido — publicado 26/06/2013 10h51
O CineSesc traz uma retrospectiva completa cinema do roteirista, cineasta e produtor Billy Wilder, nos dias 29 e 30 de junho
Billy Wilder

Marthe Keller e William Holden no drama Fedora

O cinema de Billy Wilder
CineSesc SP (dias 29 e 30)

Há uma devoção a Billy Wilder (1906-2002) traduzida em vasta bibliografia sobre seus filmes e, tão saborosa, sobre ele, documentários, prêmios e homenagens de colegas. Entre essas é famoso o agradecimento de Fernando Trueba pelo Oscar em a Sedução, que disse acreditar não em Deus, mas em Wilder. O diretor então lhe telefonou: “Fernando, é Deus!” A lista segue longa, com Michel Hazanavicius (O Artista) e Cameron Crowe, que o convidou ao elenco de Jerry Maguire – A Grande Virada e em vez disso ganhou uma reveladora entrevista que pode ser lida em edição espanhola. Nela, Wilder fala da crítica e do jornalismo, que chegou a exercer ainda jovem em Viena, onde nasceu, ofício que o levaria ao de roteirista.

É formação fundamental a se levar em conta no momento de uma retrospectiva completa, a partir de sexta 21 no CineSesc, deste diretor que foi antes de tudo exímio contador de histórias, como no suspense Testemunha de Acusação (1958). Também por esse passado pode-se entender a presença constante de jornalistas em seus 22 filmes, no primeiro plano em A Montanha dos Sete Abutres (1951) e A Primeira Página (1974), ou em papel similar, como o roteirista de Crepúsculo dos Deuses (1950), clássico dos bastidores de uma Hollywood decadente. É o ato de ilusão da ex-estrela Norman Desmond, de se passar pelo que não é, outro tema referente de Wilder, que o retoma melodramático em Fedora (1978), agora sobre atriz que mantém sua beleza e fama através da filha. Um disfarce que se assume debochado em Quanto Mais Quente Melhor (1959), cuja perfeição cômica poucos contestam.