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O desajuste improvisado

por Orlando Margarido — publicado 16/06/2011 14h00, última modificação 17/06/2011 14h30
Marcado por tipos rebeldes, Malcolm McDowell colaborou para firmar a polêmica em Laranja Mecânica, clássico que é objeto de documentário
O desajuste improvisado

Marcado por tipos rebeldes, Malcolm McDowell colaborou para firmar a polêmica em Laranja Mecânica, clássico que é objeto de documentário. Foto: Guillaume Baptiste/AFP

Quando Malcolm McDowell recebeu de Stanley Kubrick o pedido para ler Laranja Mecânica, o romance de Anthony Burgess lançado em 1962, o ator não questionou a razão. Aceitou a encomenda, mas repassou o livro outras duas vezes para chegar à conclusão de se tratar de uma obra-prima, embora sem alcançar a sua completa compreensão. Ao relatar a dificuldade ao cineasta por telefone, ouviu do outro lado da linha: “Ótimo, então você é Alex”.

A partir daí, o resto é história. Quatro décadas depois que a controversa versão de Kubrick do livro chegou às telas, McDowell rememorou essa e outras passagens de sua carreira na Lição de Cinema que integra a programação do Festival de Cannes. A conversa com o ator inglês, em maio deste ano, aconteceu em paralelo ao relançamento do filme, em cópia remasterizada, e a exibição do documentário de produção francesa Il Était une Fois... Orange Mecanique (Era uma Vez... Laranja Mecânica), de Antoine de Gaudemar, em parceria com o crítico francês Michel Ciment, o mesmo que recebeu o intérprete para o bate-papo. Toda essa celebração tinha ressonância também na homenagem da Cinemateca Francesa a Kubrick, onde uma exposição pode ser vista até 30 de julho.

McDowell participou de cerca de 150 filmes. Atuou para Lindsay Anderson e Joseph Losey, por exemplo, mas seu jovem sádico e líder de gangue Alex prossegue como a referência. “Bem, minha vida e trajetória artística ganharam novo rumo, mas acho apenas que estava no lugar certo, na hora certa”, comentou o ator. Refere-se ao fato de Kubrick, já dono dos direitos da obra, ter levado muitos anos para encontrar o Alex ideal, papel para o qual foram sugeridos Tim Curry e Jeremy Irons. Nesse intervalo, McDowell estreou no cinema. Primeiro numa experiência com resultado frustrado. Em Poor Cow, de Ken Loach, suas poucas cenas foram cortadas na montagem final. Mas em seguida foi chamado para protagonista de Se..., filme de 1968 que é um clássico de Anderson.*

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