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O cara do cinema

por Orlando Margarido — publicado 19/01/2011 10h30, última modificação 21/01/2011 15h52
Responsável por sucessos nacionais, como Cidade de Deus, Daniel sabe prender o espectador
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Em Tropa e Elite, de José Padilha, contribuiu de modo decisivo

Responsável por sucessos nacionais, como Cidade de Deus, Daniel sabe prender o espectador

Ainda hoje, Daniel Rezende se vê num aperto quando tem de explicar ao pai o que faz da vida. “Imagine, uma profissão que você não consegue explicar à própria família”, ri. Talvez seja o caso de ampliar essa dificuldade caseira à escala de plateia dos cinemas para dar a real dimensão da pouca afinidade   entre os espectadores e o ofício em questão.Rezende, de 35 anos e rosto de garoto, é um montador de filmes, alguém que coloca ordem e sentido no emaranhado de imagens captadas pela câmera do diretor nem sempre preocupada com esses dois fundamentos. Toda produção cinematográfica tem montagem, mas nem toda montagem tem inscrito no cenário nacional uma estética pessoal e congruente ao cinema que se busca impor, seja ele de grande empatia e apelo popular, seja ele mais afeito ao bordado autoral.

Rezende atende a ambos os registros, embora ele mesmo compreenda a chancela de especialista no molde de ação e violência em que se acomodaram os maiores sucessos do qual participou, Cidade de Deus e Tropa de Elite, tanto o primeiro como o segundo, este considerado recorde de audiência até hoje da produção local. É mais pelo reconhecimento, portanto, que o jovem deve se entender com o pai.

Essa vocação numa trajetória agora superior a dez longas-metragens não o faz, acredita ele, mais credenciado ou audaz do que outros colegas. “Tudo depende do filme, do material que chega às minhas mãos. A melhor montagem é a montagem apropriada para aquela produção e o bom profissional percebe isso”, diz Rezende, iniciando uma cuidadosa aborda americano Água Negra, ou ainda o recente As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodansky. “Entendo a fama porque são aqueles os filmes de ação e violência que me projetaram, mas há uma associação errônea ao achar que onde a montagem é mais percebida, ela é boa.” E qual seria a ideia de um trabalho de qualidade? “Se você está no cinema e em nenhum momento olhou para o relógio ou pensou na conta a pagar, a montagem é boa. Exceção feita, talvez, aos filmes iranianos.”

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 630, já nas bancas.