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Refogado

O cacau ameaçado

por Marcio Alemão publicado 13/12/2010 10h29, última modificação 13/12/2010 11h12
Preparem-se para fazer um megaestoque de chocolatones. O maior produtor e exportador de cacau do mundo, a Costa do Marfim, passa por uma confusão eleitoral que fez o preço do cacau disparar. Por Márcio Alemão

Alassane Ouattara fez o juramento que todo presidente eleito deve fazer. Todavia, Laurent Gbagbo também o fez. Laurent era – ou é? – o presidente da Costa do Marfim, que não reconheceu a vitória de Alassane nas últimas eleições que rolaram no dia 28 de novembro.
A ONU já entrou na parada, reconheceu a vitória de Ouattara, mas, como de costume, nem todos ouvem o que diz/declara/manda a ONU. Não vou lembrar quem foi, mas alguém disse que chegam a ser risíveis as determinações da citada organização: “A partir desta data, nenhuma criança neste planeta poderá passar fome”.
Sabemos, na verdade, que são gigantescas as quantidades de trabalho e negociação que envolvem essas determinações. Mas, sim, de certa forma, elas não deixam de ter um gostinho surreal. A Costa do Marfim, para quem não sabe, encarou uma longa guerra civil, de 2002 a 2007. E ontem, por conta da confusão eleitoral, o preço do cacau disparou na Bolsa de Nova York. Subiu 4,43% o contrato março e a tonelada fechou em 3.065 dólares. Para complicar ainda mais, o embarque da amêndoa do cacau está enfrentando importantes atrasos.
Todos sabemos que a Costa do Marfim é o maior produtor e exportador de cacau do mundo, certo? Portanto, o ladino leitor e a astuta leitora já perceberam aonde irei chegar: é chegado o momento de fazer um megaestoque de chocolatones porque o preço vai disparar. Nem sei dizer se já não dispararam, considerando que essa notícia da subida do preço do cacau ocupou a primeira página dos principais boletins financeiros, de celulose e eletrônicos, do mundo. E agora, pasmem: recebi um relatório ultrassecreto, que estava prestes a ser publicado no WikiLeaks, no qual insinua-se fortemente que, por trás de toda essa confusão que culmina na elevação do preço do cacau, estaria... adivinhem quem? Sim, ele mesmo, o JUNIOR.
O danadinho teria feito estoques monumentais da amêndoa e vendido, parte dele, ontem mesmo. O restante ele vai esconder, ou melhor, reservar. Em breve o mundo ocidental, e mais precisamente o Brasil, a mais nova potência gastroperdulária do planeta, começará a sentir falta do chocolatone. Não vivemos sem ele. E isso sem falar nas bordas de pizza recheadas, que também levam a assinatura do incansável enfant terrible. Em meses estaremos de joelhos e o Junior cada vez mais rico.
Também o suco de laranja pode subir por conta das previsões de tempo nada boas para a turma da Flórida e seus laranjais. Difícil dizer que o rapaz esteja também por trás disso, até porque, a laranja nunca se mostrou muito adaptável. Picolé de laranja, nunca vi. Bolo de laranja é uma coisa de outros tempos e que nunca teve sabor de laranja. Batata frita sabor laranja, sei lá, acho que não cola. Panetone? No lugar da essência de baunilha, uma de laranja? Quem sabe.
E cá entre nós: alguém poderia afirmar, jurar, que ao tomar esses sucos de laranja em embalagem Tetra Pack está tomando um suco de laranja? A verdade: nós nos acostumamos a ele, mas ele nada tem a ver com um suco natural de laranjas espremidas na hora. A laranja tem essa característica, parecida com o morango: nada feito com ambas as frutas lembra seus sabores naturais. Bala ou bolo de morango, chicle de morango, pirulito. Sempre venderam pela cor, creio eu.
 Mas abro uma honrosa exceção: o picolé de morango da Diletto. Aliás, recomendo fortemente toda a linha desses picolés. Não são baratos, é fato, mas também não chegam a derrubar um orçamento familiar. São picolés cremosos. Diria que são sorvetes de massa no palito. E nenhum dos sabores rendeu-se à filosofia do Junior.