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O berço criativo da televisão

por Araújo Lopes — publicado 06/04/2011 16h34, última modificação 08/04/2011 12h00
Os bastidores da Tupi do Rio, obra de intelectuais e artistas nos anos 50

Os bastidores da Tupi do Rio, obra de intelectuais e artistas nos anos 50

Era um entra e sai curioso o daqueles dias ensolarados no edifício do Cassino da Urca, lar carioca da recém criada Tupi, versão tupiniquim de emissora que se debruçava sobre a areia e o mar. Técnicos carregavam cenários da praia para o prédio, atravessando a rua sob risco de atropelamento. Emoldurados pela paisagem carioca, os atores Sérgio Britto e Fernanda Montenegro, saídos do teatro ao vivo na tevê e ainda trajando roupas do drama de Shakespeare, encontravam as vedetes Mara Rúbia e Virgínia Lane, rainhas do Teatro Rebolado. No fim do dia, de maquiagem, essa mistura improvável de artistas parava para um papo no Bar Canal 6.

Nos ufanistas anos 1950, a televisão era o meio que revolucionava a produção e o consumo de cultura. O Brasil dos Anos Dourados, do desenvolvimentismo otimista que fluía pelas novas avenidas com os novos carros de JK precisava desesperadamente aderir à novidade. Coube a Assis Chateaubriand, o magnata das comunicações, dono controverso do Grupo Diários Associados, inaugurar a primeira emissora do País. Em 18 de setembro de 1950, a TV Tupi foi (milagrosamente) ao ar, Em São Paulo.

Contra todas as adversidades técnicas, o amadorismo e a improvisação, e graças a um grupo de veteranos do rádio dedicados e obstinados técnicos, a improvável transmissão aconteceu em tom solene. O Frei José Mojica, célebre por suas notáveis interpretações à época, cantou A Canção da TV, espécie de hino composto para batizar o feito. O rosto da tevê brasileira era um pequeno índio, símbolo que nascia ali para se tornar indelével. E sua história e lendas, bem conhecidas, acabariam se confundindo com a história de uma época.

*Confira este conteúdo na íntegra da edição 641, já nas bancas.