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Cultura

Calçada da Memória

O ártifice da ilusão

por Redação Carta Capital — publicado 06/04/2012 09h35, última modificação 06/04/2012 09h53
Georges Meliès usou diferentes técnicas fotográficas para estender ao infinito a fantasia que exercia em seus espetáculos
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Georges Meliès, genialidade artesanal

Por José Geraldo Couto

 

Tudo começou com uma falha mecânica.

Em 1896, Georges Méliès (1861-1938) registrava o movimento de uma rua de Paris quando sua câmera emperrou e levou um minuto para voltar a funcionar. “Na projeção vi, de repente, um ônibus Madeleine-Bastille transformado em carro funerário e os homens convertidos em mulheres”, recordou Méliès anos depois.

O diretor descobriu assim que poderia usar a recente invenção dos irmãos Lumière para estender ao infinito a fantasia que exercia em seus espetáculos de magia e prestidigitação.

Em 1897, Méliès construiu nos arredores de Paris um estúdio com telhado de vidro, onde realizou nada menos que 553 filmes, entre eles clássicos da invenção cinematográfica como Viagem à Lua, A Dançarina Microscópica, A Conquista do Polo e As Cartas Vivas.

Misturando técnicas fotográficas, como a sobreimpressão e a pintura da película quadro a quadro, com a parafernália de efeitos mecânicos e pirotécnicos engendrados por ele próprio, Méliès foi o primeiro “autor” do cinema: escrevia, cenografava, dirigia, atuava, montava, distribuía e exibia seus filmes.

Sua produção artesanal, na contramão da crescente industrialização do cinema, logo entrou em declínio. Suas novidades se tornaram anacrônicas, e em 1919 ele parou de filmar, mantendo-se apenas como mágico em seu Teatro Robert-Houdin, até que este foi demolido numa reforma urbana em 1923. Arruinado e esquecido, abriu uma loja de brinquedos na
estação Montparnasse.

Apesar de um momento de reabilitação e de uma exibição de gala em sua homenagem em 1929, seguiu na miséria e terminou seus dias num asilo para artistas.

DVDs:

IRMÃOS LUMIÈRE – PRIMEIROS FILMES (1895/1996)
Reunião de filmetes rodados por Louis e Auguste Lumière. Lançada para festejar o centenário do cinema, a coletânea tem narração de Bertrand Tavernier e traz marcos como A Chegada do Trem a la Ciotat, L’Arroseur Arrosé e A Saída dos Operários da Fábrica Lumière.

SESSÃO MÉLIÈS (1898/1997)
Esta coletânea de 15 filmes de Georges Méliès privilegia suas fantasias delirantes. (Ele filmou também documentários e reconstituições históricas.) Destaque para clássicos como: O Homem-Orquestra (1900), O Homem da Cabeça de Borracha (1901), A Viagem à Lua (1902) e As Cartas Vivas (1904).

BOM DIA BABILÔNIA (1987)
Em 1910, dois irmãos italianos (Vincent Spano e Joaquim de Almeida), artesãos que restauram igrejas, emigram para a América e vão trabalhar na então nascente indústria do inema. Entre outras coisas, ajudam a criar os cenários de Intolerância, de Griffith. Marcante melodrama dos irmãos Paolo e Vittorio Taviani.

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