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Cultura

11ª Flip

Notas de Paraty

por Marsílea Gombata publicado 04/07/2013 18h52, última modificação 08/07/2013 14h37
A enviada especial Marsílea Gombata conta, em pílulas de informação, o que de mais interessante aconteceu na festa literária internacional
Divulgação / Flip
mesa tales e safatle

Mesa de sábado à noite debateu o que levou multidões às ruas do País

12ª Flip. Apesar de ainda não ter escolhido o autor que será homenageado na edição de 2014 da festa literária, a organização cogita nomes como Mário de Andrade, Rubem Braga e Lima Barreto. Homenagear pela primeira vez uma mulher também não está descartado. A ideia de ser uma escritora viva, como Lygia Fagundes Telles, agradou Mauro Munhoz, diretor presidente da Associação Casa Azul, entidade responsável pela organização da Flip.

Terra da rainha. A Inglaterra também terá sua versão da Flip. Segundo a editora inglesa Liz Calder, no fim de semana de 4, 5 e 6 de outubro, a região de Snape Maltings receberá 12 artistas brasileiros, entre músicos e autores como Bernardo Carvalho, Ferrez e Milton Hatoum. O festival ocorrerá em uma antiga fábrica transformada em centro cultural à la Sesc Pompeia, de São Paulo, e contará com ajuda do governo brasileiro via Biblioteca Nacional.

Arquitetura. Ao final da 11ª Flip, Munhoz lembrou que um dos maiores feitos desta edição é ter introduzido a arquitetura nas mesas acostumadas a literatura, música e cinema. “Nunca tinha visto perguntas tão pertinentes de pessoas que não são da área. Esse piloto se mostrou uma boa experiência”, ressaltou.

Cachê. Um dos nomes que mais lotaram a Tenda dos Autores, o cantor Gilberto Gil cobrou um “cachê baixo” para participar da Flip. Segundo Munhoz, os 55 mil reais pedidos foram para cobrir os custos de seu show, que abriu a festa literária na noite de quarta-feira 3.

Cartas do Egito. O poeta palestino Tamim Al-Barghouti cancelou sua vinda à Flip, mas enviou ao curador Miguel Conde uma carta na qual pede desculpas e conta sobre o tenso cenário que vem tomando o Egito. O documento será lido na mesa Literatura e revolução da qual o escritor participaria neste domingo 7.

Verde. Presente na plateia da primeira mesa deste domingo 7, a ex-senadora Marina Silva foi elogiada pelo mediador José Luiz Passos. Na mesa Graciliano Ramos: políticas da escrita, o pernambucano que leciona na UCLA comparou a ética presente na política de Graciliano (homenageado da Flip neste ano) à conduta de Marina, que foi ministra do Meio Ambiente no governo Lula e deixou o PT para concorreu à Presidência pelo PV em 2010. A plateia aplaudiu.

Taxação à la Hollande. Ao lado do crítico literário T.J. Clark e do psicanalista Tales Ab’Saber, o filósofo Vladimir Safatle deu uma ideia para a questão do aumento das tarifas de ônibus, alvo de protestos por todo o País. “O gasto com transporte é o terceiro das famílias brasileiras. Por que não se pode fazer um outro tipo de financiamento? Por que não podemos pegar o IPTU das pessoas mais ricas e financiar?”, disse antes de ser aplaudido pela plateia presente à mesa Da arquibancada à passeata, espetáculo e utopia, na noite de sábado 7. “No Brasil, um banqueiro paga 27% de impostos. Eu também, e estou longe de ser um banqueiro.”

A revolução não será “skypeada”. Apesar de creditar a importância que mídias sociais e internet tiveram nas recentes manifestações que tomaram o País, T.J. Clark ressaltou o papel fundamental do in loco. “O que ainda é absolutamente necessário é o movimento político real, presencial. A política não será reorganizada por Skype ou telefone.”

Copa do Mundo II. Autor de Por uma esquerda sem futuro, o britânico arrancou aplausos quando atacou a menina dos olhos do Brasil: a Copa. “As massas das ruas no Brasil continuam formulando uma demanda simples: que a Copa do Mundo não seja realizada. É uma demanda modesta. Afinal, quem se importa? Só o Estado.”

O que é bom dura pouco. Ao fim do debate, Safatle disse ainda que a ideia de uma Constituinte era uma boa solução. “Era tão boa que durou apenas 24h”, ironizou. “Uma democracia se enfraquece quando todo o movimento constituinte é esquecido. Uma constituinte teria permitido que a situação brasileira não ficasse na posição de ventrículo. Agora se propõe o plebiscito onde se colocarão questões canhestras, como voto distrital. Achar que as pessoas saíram às ruas por voto distrital é uma piada.”

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Sábado 6

Poeta árabe. Um dos nomes mais esperados da 11ª Flip, o poeta palestino Tamim Al-Barghouti não vai conseguir chegar a tempo para participar da mesa Literatura e revolução, na festa em Paraty. De acordo com a organização do evento, Tamim embarcou no Egito para Londres, mas teve seu passaporte extraviado na capital britânica, impossibilitando-o de voar a tempo para o Brasil. Na quinta-feira 4, havia dúvidas se o autor conseguiria deixar o Egito na hora prevista devido à tensão política que vive o país nos últimos dias. Na mesa de domingo à tarde, irá substituí-lo o brasileiro Milton Hatoum, filho de imigrantes libaneses, além de Mamede Musafa Jarouche e Vladimir Safatle.

Bombou. Ao lado de mesas que trouxeram nomes como Maria Bethânia e Gilberto Gil, o debate que reuniu os escritores Lydia Davis e John Banville, no fim da tarde de sábado 6, lotou a Tenda dos Autores da 11ª Flip. Nela, os convidados debateram os limites da prosa, padrões da escrita e como funcionam os processos de criação e edição de um autor. “Não há regras”, ressaltou Banville, que combinava camisa azul marinho, paletó preto e lenço vermelho na lapela.

Curta. Fascinada pela língua desde criança, a autora americana que é conhecida por um estilo conciso disse que não consegue gostar menos de textos mais longos, como os romances. “O que mais gosto nos tipos mais tradicionais de historia é poder se perder neles”, explicou Lydia.

Método. Do público, a autora de Tipos de perturbação recebeu uma pergunta sobre como costumava trabalhar. Ela disse que nunca começa do zero, diante de uma tela em branco. “Em vez disso, estou sempre tomando pequenas notas”, contou sobre seu ponto de partida. Depois, trabalha em cada uma delas “o tempo que for preciso”, seja ele semanas ou meses.

Protestos. Manifestantes aproveitaram a visibilidade da Flip para interditar, na tarde deste sábado 6, a ponte que liga o centro histórico da colonial Paraty à Tenda dos Autores da festa literária. Eles pediam mais investimento em saúde e educação, reclamavam da tarifa do transporte público e os homicídios na cidade turística. No cais, houve protesto de donos de pequenos barcos contra proprietários de grandes escunas.

Banana da terra. Mesmo com Paraty em polvorosa, o cineasta Nelson Pereira dos Santos não se acomodou e resolveu enfrentar a multidão. De camisa branca de linho, bermuda e sapatênis, o diretor sentou para esperar a longa fila para comer no restaurante mais concorrido de Paraty: o Banana da Terra, que serve “quitutes do mar” com tempero brasileiro.

“O poema lido jamais será vencido". Na mesa Maus hábitos com o irreverente Zuca Sardan, o também poeta Nicolas Behr foi ovacionado pela plateia da Flip, neste sábado, ao levantar cartazes de protestos, como: "Tarifa zero para  a poesia", "Para o poema, o vinagre é um milagre" e "A poesia pede passagem grátis", em alusão às manifestações contra a tarifa do transporte coletivo que tomaram o País recentemente. Entraram no repertório também os versos: "Atenção! Quebra quebra não. Poema em construção" e "O Brasil acordou e o poema concordou."

Mito. Na mesa com ares de botequim, Behr contou se sentir um herói da cidade onde vive desde 1974. “Um dia me disseram: ‘Então quer dizer que o senhor quer ser o Homero de Brasília?’. E eu: 'Quer ser, é?'”, divertiu o público. “Transformei o Lago Paranoá em Mar Mediterrâneo!”

Porrada. Ele confessou também preferir críticas a elogios. “A porrada é sempre sincera. Já o elogio vem com algum interesse. Para o poeta, a porrada é bem mais importante.” O poeta comparou o “mau estar que Drummond provoca” ao “desconforto ao andar nas ruas de pedra de Paraty”. “O bom poema é aquele desconfortável, não aquele em que você pisa e desliza”, explicou o escritor que sempre anda com seus livros, nos quais coloca e-mail, telefone e caixa postal. “Só falta o 0800 para falar com o poeta”, brincou.

Reciclagem. Seu companheiro de mesa, Zuca Sardan, explicou em entrevista a CartaCapital que seu novo livro Ximerix (Cosac Naify) tem como processo a reciclagem. “Há, inclusive, cola da própria cola.” Já o título, ele contou, vem de “rimex: questão de rima demais, rima de menos, ou rima de mais ou menos.”

O que dizer? Ansioso, o cineasta Eduardo Coutinho estava preocupado com o que ia dizer na mesa que o homenageia neste sábado 6 na Flip. “Eu nunca tenho nada a dizer. E amanhã, aliás, vai ser um problema”, disse na sexta-feira 5. O documentarista que chega aos 80 neste ano é esperado para falar à plateia da festa literária às 12h.

Embalada para presente. À frente da plateia da 11ª Flip na noite de sexta-feira 5, a cantora Miúcha contou a maneira inusitada como conheceu o cineasta Nelson Pereira dos Santos. “Um amigo disse Nelson Pereira dos Santos está fazendo 50 anos. E se eu te levar de presente para ele?”. “Eu adorei a ideia”, lembrou Miúcha. Mais tarde, o cineasta decidiu chamar Miúcha para trabalhar com ele como roteirista por sua herança: “A Miúcha herdou toda sabedoria de Sergio Buarque de Holanda, grande conhecedor do Brasil”, disse sobre o pai da cantora.

Roteiro. Na mesa Uma vida no cinema, ela lembrou também que era muito nova quando leu Raízes do Brasil- clássico escrito por seu pai - e não entendeu direito. Foi com o documentário feito pelo cineasta hoje com 84 anos, no entanto, que pôde compreender a obra do historiador. “Realmente viajei no meu pai, pude entender meu pai jovem, como se fosse um amigo, mais ou menos assim”, conta ao lembrar que o diretor costumava rasgar as páginas do livro para ‘transformá-las’ em roteiros.

Ex-foca. O diretor de Vida Secas, Rio 40 Graus e Rio Zona Norte, arrancou risos da plateia ao lembrar como decidiu adaptar a obra de Graciliano Ramos para o cinema. “Eu trabalhava em jornal e cinema era algo esporádico. Mas me pediram um filme sobre a seca de 1958.” O cineasta viajou, então, para Juazeiro, na Bahia. Quando lá chegou e viu as pessoas “famélicas”, a primeira imagem que lhe veio à cabeça foi a de “um campo de concentração”. A primeira tentativa de roteiro do filme ficou "sem profundidade", como o trabalho de um “foca” (jornalista recém formado), comparou. Decidiu, então, trabalhar em cima do livro de Graciliano e voltou para a cidade baiana. “Fui filmar em Juazeiro e lá chovia como nunca”, riu-se. “Assim ficou por três meses...”

Pop. Se em edições anteriores da Flip Paraty era tomada por um clima "underground", com escritores e artistas espalhados por seus bares e cafés, neste ano a cidade tem ar mais pop. A festa cresceu e vê-se pelas ruas do centro histórico colonial um público menos homogêneo, com direito a famílias inteiras. A expectativa é de que venham à 11ª Flip 25 mil pessoas, 5 mil a mais do que no ano passado.

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Sexta-feira 5

Moqueca à beira mar. Autor convidado da Flip, Daniel Galera almoçou um prato bem litorâneo na sexta-feira 5. Acompanhado da namorada, o escritor nascido em São Paulo e criado em Porto Alegre pediu moqueca no bistro Casa do Fogo, em Paraty. Precursor do uso da internet na divulgação da literatura, por meio do extinto fanzine eletrônico Cardosonline, Galera é autor de Dentes guardados (2001), Até o dia em que o cão morreu (2003), Mãos de cavalo (2006), Cordilheira (2008), Cachalote (2010) e Barba suja de sangue (2012).

Master. Nada afeito a jornalistas, o documentarista Eduardo Coutinho anda por Paraty encapotado. Mesmo debaixo de um sol atípico para o quase inverno do início de julho, o cineasta, que faz 80 neste ano, circula de casaco azul marinho e sapatos marrons. Ele participa no sábado da mesa Encontro com Eduardo Coutinho. O evento marca o lançamento do livro O olhar no documentário – Eduardo Coutinho (Cosac Naif), que reúne textos de sua autoria e sobre a sua obra.

Malditos cartunistas. Os fãs de quadrinhos que esperavam por Allan Sieber na Casa do Autor Roteirista na Flip, no domingo, não terão a chance de ver de perto o cartunista gaúcho. No lugar dele foi convidado o carioca Arnaldo Branco. Allan ganhou filho recentemente e teve de abrir mão da viagem a Paraty.

Spray de pimenta. Na primeira mesa de sexta-feira 5 (Graciliano Ramos: Ficha Política), o mediador José Luiz Passos arrancou risos da plateia em diferentes momento. Logo no início, quis deixar claro que o debate entre o brasilianista Randal Johnson, o sociólogo Sergio Miceli e o escritor e jornalista Dênis de Moraes era democrático e afeito a opiniões diferentes. “Temos posições concordantes e divergentes. Por isso, contato físico somente acima da cintura e cotovelo, abaixo. Miguel Conde [curador da 11ª Flip] me autorizou a usar spray de pimenta.”

Voz das ruas. Depois de fazer rir, José Luiz Passos semeou o desagrado e foi vaiado. Ainda na mesa sobre Graciliano Ramos como figura política, o mediador pernambucano, que leciona na UCLA, interrompeu o raciocínio de Sergio Miceli sobre os romances Caetés, São Bernardo e Angústia do autor alagoano e ouviu um imenso: “Ahhh”, que lhe obrigou a devolver a palavra ao debatedor. Ao fim, tentou se redimir: “Fico feliz que a voz das ruas tenha calado o moderador e não o palestrante”.

Copa do Mundo? Alvo de críticas das manifestações populares, a Copa do Mundo de 2014 também foi vidraça no debate sobre Graciliano, homenageado desta 11ª edição da festa literária. Dênis de Moraes observou que, se ainda estivesse vivo, o autor sairia às ruas para protestar contra os gastos do evento. “Uma Copa do Mundo milionária em um país com tantos problemas, como um sistema de saúde falido e uma educação com tanta falência. Graciliano chamaria atenção para a falta de coerência ética.”

Sem assinatura. Também presente na 11ª Flip, onde lançou o infantojuvenil Se eu não me chamasse Raimundo (Globinho), Ricardo Ramos Filho, neto do escritor alagoano, explica o porquê de uma identidade tão marcante nas obras do avô, que não chegou a conhecer: “Graciliano dispensa assinatura. Qualquer fragmento escrito por ele, solto, encontrado por acaso, pode ser imediatamente reconhecido como de sua autoria. Tal característica, aliada a uma sintaxe extremamente correta, traz uma concisão sempre trabalhada, bem como a certa dubiedade no seu jeito de se colocar no texto.”

Pseudônimo. Esperado para a mesa que abre o sábado, o poeta Zuca Sardan, que lança Ximerix (Cosac Naify) conta que resolveu “definitivamente remar contra a maré moderna, deixar a prosa de lado, e mergulhar de ponta-cabeça na poesia narrativa, mito-histórico-galhofeira."

Moscas. De humor refinado, o autor radicado na Alemanha explica por que a mosca atua como coadjuvante em diferentes poemas de seu livro zine. “Minha obra andou às moscas por várias décadas. Os selvagens não espantam as moscas que tranquilamente lhes passeiam pelo rosto. Certamente os aborígenes sabem que a mosca é um animal sumamente afetivo e fiel. Moscas são tão pacíficas, mas menos engajadas do que as pombas de Brejnev.”

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Quinta-feira 4

Poeta da revolução. A tensão que tomou o Egito nos últimos dias respingou na Flip. A vinda de Tamim Al-Barghouti, poeta revolução árabe e um dos nomes mais esperados da festa literária, é incerta. A expectativa era que o autor de poesia árabe contemporânea deixasse o Egito rumo ao Brasil na manhã desta quinta-feira 4, o que não ocorreu. A organização do evento aguarda notícias sobre o escritor nascido em 1977, filho da escritora egípcia Radwa Ashour e do poeta palestino Mourid Barghouti, que esteve na Flip em 2006.

A voz da queda. O trabalho de Tamim, que atualmente trabalha como professor convidado da Universidade de Georgetown, em Washington, ganhou projeção durante as manifestações que levaram à queda do ditador egípcio Hosni Mubarak, em março de 2011. Os seus poemas eram cantados pelos manifestantes que ocuparam a Praça Tahrir.

As legítimas. Mal aterrissou em solo brasileiro, a contista americana Lydia Davis já entrou no clima tropical. Pelas ruas de Paraty, a autora de Tipos de Perturbação (Companhia das Letras) circula de havaianas marrons, calça tipo pescador e óculos de sol. A escritora, que foi casada com o escritor americano Paul Auster, fala ao público na mesa Os limites da prosa da 11ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), às 17h15 do sábado.

Azedinho doce. Na mesa O dia a dia debaixo d'água, a poeta fluminense radicada em São Paulo Bruna Beber arrancou risos e aplausos da plateia ao levar um susto quando foi questionada sobre o fato de quase não fazer poemas de amor. "Eu achava que falava muito de amor, de um grande sentimento", riu. "Mas falo mais de coração do que amor porque dá vergonha e você não sabe onde o poema vai terminar". A autora de Rua da Padaria (Record) comparou o poema à excêntrica fruta tamarindo, por trazer um azedinho doce - "picada e beijinho". Ao público da 11ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), ela contou que o instrumento mais importante na hora de escrever é o ouvido. "Leio e releio mil vezes o poema, gravo, canto, mostro para alguns amigos", contou ao comparar a escrita a uma brincadeira - "é algo lúdico para mim".

Em boa companhia. Estrela da mesa Uma vida no cinema da 11ª Flip, o cineasta carioca Nelson Pereira do Santos anda para cima e para baixo acompanhado da mulher, Ivelise Ferreira. No debate previsto para a noite de sexta-feira 5, em Paraty, o diretor de Rio 40 Graus e Vidas Secas (este baseado na obra de Graciliano Ramos, homenageado na festa literária) fala à platéia ao lado de Miúcha, com quem passeou pela cidade durante a tarde de quinta-feira 4.