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Nostalgia engajada

por Orlando Margarido — publicado 14/01/2011 11h12, última modificação 14/01/2011 11h20
Enquanto aguarda possibilidade de tombamento do prédio, Cine Belas Artes programa retrospectiva de clássicos a partir do dia 14.

Retrospectiva de clássicos no Cine Belas Artes.  De 14 a 27 de janeiro 
Se é iminente e inevitável a despedida, que seja feita com louvor. Assim será com as duas retrospectivas pensadas para lembrar a partir desta sexta 14, os derradeiros momentos do Belas Artes, tradicional reduto da cinefilia paulistana que teve seu fechamento decretado pela imposição do proprietário do prédio, mais sensível aos negócios do que à vocação artística. Ainda se tenta com manifestações driblar o ocaso, como faz o cavaleiro de boa figura ao jogar xadrez com a morte em O Sétimo Selo. O filme de Ingmar Bergman é um dos 26 títulos escolhidos para prantear a ocasião, assim como outro seu, Gritos e Sussurros, divididos entre as seções Os Sucessos do Belas Artes (sempre às 18h30) e Clássicos Cult (às 21h) até dia 27, data prevista de encerramento. 
 Deve ser considerada mera coincidência, contudo, o tom grave e melancólico dos dois magníficos Bergman e do clássico de Luchino Visconti, Morte em Veneza. Assim como também dos dolorosos Johnny Vai à Guerra, de Dalton Trumbo, e Pai Patrão, dos irmãos Taviani. Há mais filmes para celebrar a vida e o esforço de vivê-la, a exemplo da animação francesa
As Bicicletas de Belleville e dos dramas espanhóis de recomeço Segunda-feira ao Sol e Lúcia e o Sexo, e aqueles que por si só explicam o cinema, casos de O Encouraçado Potemkin e de A Regra do Jogo, uma aula de como filmar por Jean Renoir. Bons cineastas contemporâneos aprenderam a lição. Wong Kar-wai, com Amores Expressos, e Pedro Almodóvar, em A Lei do Desejo, estão entre os melhores no melodrama. Outros preferiram fazer do drama espetáculo e dificilmente foram alcançados, como Francis Ford Coppola em Apocalypse Now.
 Os espectadores da última sessão de cinema não se furtarão, no entanto, a desconfiar de certa sintonia na atitude da ambiciosa aspirante à atriz que rouba o posto de estrela de teatro em A Malvada. São grandes interpretações de Anne Baxter e Bette Davis, que só têm rivais nas de Jack Lemmon e Tony Curtis na comédia Quanto Mais Quente Melhor, exibido, quem sabe, para confirmar o ditado dos que riem por último.