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"Roteiristas migraram para a tevê para ter controle sobre histórias"

por Redação — publicado 25/03/2014 15h41, última modificação 25/03/2014 19h55
No Brasil para ministrar um curso sobre roteiro, o cineasta Craig Bolotin, de 'Chuva Negra', diz que a tevê deu "tempo e oportunidade" para desenvolver personagens com profundidade
Divulgação/Vira Comunicação
Craig Bolotin

O roteirista Craig Bolotin

“Um pintor nunca faz uma obra-prima nas suas primeiras tentativas”. Quem dá o recado aos jovens roteiristas é Craig Bolotin, cineasta de 59 anos que já trabalhou com nomes como Francis Ford Coppola, Forest Whitaker, Michael Douglas, Andy Garcia e Ridley Scott, para quem escreveu o roteiro do thriller Chuva Negra.

Enquanto prepara a adaptação para o cinema do best-seller Uma Longa Jornada, de Nicholas Sparks, Bolotin vem ao Brasil nesta semana para ministrar uma oficina de roteiros, no instituto de cinema Operahaus, entre os dias 28 e 30 de março (saiba mais clicando AQUI). Em entrevista a CartaCapital, ele afirma que a estrutura das grandes séries de tevê é hoje um grande filão para os roteiristas profissionais.

“Nos Estados Unidos, esse formato de série tem 13 episódios em uma temporada. É o equivalente a escrever um filme de 13 horas. Você tem tempo e oportunidade de desenvolver seus personagens com muito mais profundidade. Um escritor de televisão, nos Estados Unidos, tem mais poder que o próprio diretor. O escritor é o ‘rei/rainha’. E, como se vê em séries como Breaking Bad e Mad Men, a escrita é sempre extraordinária”, afirma.

Segundo Bolotin, que escreveu o roteiro de séries como Miami Vice, essa migração de gêneros se deu pela tendência dos grandes estúdios de, cada vez mais, basear seus filmes em histórias em quadrinhos e ao fato de os filmes de ação serem direcionados para adolescentes. “Muitos dos melhores escritores migraram para a televisão porque lá eles têm mais controle e são menos dependentes do retorno da bilheteria. Eles podem atrair audiências menores e, ainda assim, ser extremamente bem sucedido.”

Apesar disso, o roteirista cita uma vantagem do cinema americano: ele está aberto a profissionais de todo mundo. “São exemplos os brasileiros José Padilha, Fernando Meirelles e Walter Salles, os mexicanos Guilherme Arriaga e a dupla Alfonso Cuarón e Jonas Cuarón – que concorreu ao Oscar esse ano pelo filme Gravidade –, José Rivera (Porto Rico) e Mikko Alanne (Finlândia). Essa é apenas uma pequena fração das dezenas de profissionais estrangeiros que trabalham como escritores e diretores bem sucedidos nos Estados Unidos. O elemento mais importante de um filme é a história. Se ela é emocionalmente envolvente e bem trabalhada, não importa de onde você é.”

Para os iniciantes da profissão, o cineasta avisa: “Há muitos meios para se tornar um roteirista de sucesso. Em primeiro lugar, você deve assistir a muitos filmes. E, depois, deve estudá-los, descontruindo cada um deles para entender o que faz com que eles funcionem. A maioria dos roteiros de filmes está disponível online. Em segundo lugar, o ideal é que você procure cursos de escrita. Existem muitos livros de “Como Escrever” mas eu, particularmente, os considero confusos demais e sem utilidade. O mais importante é o desejo e a disposição de sentar e escrever roteiro após roteiro até que seu trabalho seja aperfeiçoado. Um pintor nunca faz uma obra-prima nas suas primeiras tentativas”.