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Cultura

Rota musical

Música de câmara nas montanhas

por Camila Alam — publicado 28/07/2010 12h10, última modificação 28/07/2010 12h10
Campos do Jordão investe em pequenas formações e nomes consagrados

Campos do Jordão investe em pequenas formações e nomes consagrados

Em sua 41ª edição, entre 3 de julho e 1º de agosto, o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão apresenta mudanças de programação, ao mesmo tempo que mantém a fórmula responsável por colocar a cidade paulista de menos de 50 mil habitantes na rota da música erudita mundial. Algumas diretrizes, em experimentação nas edições anteriores, apontam para maior abertura ao poder pedagógico do evento, a reintrodução do canto nas apresentações e mais visibilidade à música de câmara. Com a temática “Música e Seus Diálogos”, o festival permite que músicos transitem livremente por diferentes repertórios e interpretações.
A música de câmara terá apresentações- gratuitas (o calendário completo do evento está no site www.festivalcamposdojordao.org.br). O público poderá, por exemplo, ver um duo inédito entre o violoncelista brasileiro Antonio Meneses e a pianista portuguesa Maria João Pires. Ou o grupo alemão Akamus, que apresenta música antiga em contraste com a contemporaneidade da Camerata Aberta, mantida pela Tom Jobim – Escola de Música do Estado de São Paulo.
A introdução de novos músicos em ambiente profissional também faz parte do projeto pedagógico do festival. Cento e setenta jovens brasileiros e estrangeiros participam de laboratórios com artistas de prestígio, como Fabio Zanon e Cristina Ortiz, além de professores do Conservatório de Paris e da Filarmônica de Berlim. “A música de câmara tem primeiro uma inserção pedagógica. Para formar um grande músico é preciso investir nos camaristas, que trabalham a afinação e a concepção da interpretação de maneira diferente das orquestras”, diz Silvio Ferraz, diretor artístico--pedagógico do festival. “Além disso, a música de câmara tem uma versatilidade e um virtuosismo que só observamos em orquestras com solistas.”

Sem desejar estar restrita a épocas ou estilos, a curadoria do festival propôs investir em nomes que despontam na música erudita, como o violoncelista grego Dimos Goudaroulis. Ele pesquisa e divulga o repertório do período barroco, assim como o cravista, organista e regente Nicolau de Figueiredo. O repertório contemporâneo ganha destaque com o quarteto de cordas inglês Arditti (o violista brasileiro Ralf -Ehlers pertence à formação) e com o professor e percussionista Eduardo Leandro, da Stony Brook University, de Nova York.
“Dentro do mesmo concerto, o público poderá, por exemplo, ouvir o barroco clássico e obras de períodos mais recentes. O quarteto Arditti vai tocar composições do século XX e uma obra de -Beethoven. O tema do festival neste ano permitiu que criá-ssemos algumas rupturas”, diz Ferraz. Elas, entretanto, não tiram da programação as grandes estrelas, as orquestras, que se apresentam em programação paralela em São Paulo. Como residente do festival, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) realiza nove concertos sob a regência de Yan Pascal Tortelier, Alex Klein e outros maestros. A Filarmônica de Minas Gerais, a Jazz Sinfônica e a Orquestra Sinfônica Brasileira também estão na programação. Esta última, sob a batuta de Roberto Minc-zuk, apresenta a 3ª Sinfonia do compositor austríaco Gustav Mahler, em homenagem aos 150 anos de seu nascimento. •