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Média-metragem

Míticos de Ipanema

por Carlos Leonam e Ana Maria Badaró — publicado 13/08/2010 15h21, última modificação 13/08/2010 15h28
Documentários sobre o show business brasileiro tentam salvar nossa memória

Documentários sobre o show business brasileiro tentam salvar nossa memória
Dirigido por Marise Farias e narrado por Hugo Carvana (grande amigo do personagem), vem aí um documentário (média metragem) de primeira, seguindo o momento atual, em que o show business brasileiro está sendo  redescoberto para as novas gerações. Filmes como os de Simonal, Dzi Croquetes, o do Festival da Record de 67, entre outros, tem levado milhares de jovens aos cinemas, sem falar, é claro, nos que viveram aqueles tempos. Enfim, estamos tentando salvar a nossa memória.

O filme sobre Hugo Leão de Castro, o homem que personificou a legendária Ipanema do anos 60 e 70, porém, só poderá ser visto, inicialmente, no Canal Brasil, que o programou para o final de setembro. Depois – quem sabe? – vai ser exibido como complemento especial das sessões regulares dos bairros em que viveu de modo intenso, Ipanema e Leblon.

Raios, pensará o paciente leitor com seus botões, quem é esse tal de Hugo Leão de Castro, apresentado como um personagem mítico do imaginário ipanemenho? Bem, o supracitado era nada menos que o legendário Hugo Bidet, um dos fundadores da Banda de Ipanema, idealizador da Feira Hippie da Praça General Osório (hoje um autêntico camelódromo).

De quebra, foi personagem de Jaguar e Ivan Lessa nos quadrinhos Os Chopnics, em que encarnava o Capitão Ipanema e seu fiel escudeiro Otar – na vida real o Sig, que mais tarde seria o mascote do Pasquim (o ratinho branco existiu mesmo, andava no ombro de Bidet e com ele bebia no bar Jangadeiros).

A origem do apelido (na historieta ele é B. D.) tem uma história típica daqueles  tempos: certo dia, Hugo promoveu uma feijoada em seu apartamento da Rua Jangadeiros. Na falta de um recipiente adequado para o prato principal, a saída encontrada pelo anfitrião foi servi-lo no bidê. A história se espalhou pela boemia do bairro e o “sobrenome” passou a ser impresso até nos talões de cheques do ex-Hugo Leão de Castro.

No documentário, fartamente ilustrado por fotos e filmes da época, os entrevistados por Marise comentam o jeito espontâneo de Bidet e sua presença imponente. Seu filho, Hugo Leão, o define como precursor dos artistas multimídias contemporâneos, recordando seu trabalho como roteirista, tradutor, artista plástico e ator em cinema, teatro e TV. Ele foi isso tudo, mesmo. E muito mais.

Ora, Senhor!, é coisa de novela Passione é uma boa história, com tantas que o autor, Silvio de Abreu, já escreveu para a TV. O elenco tem nomes competentes, nem sempre bem aproveitados, como o premiado Leonardo Villar. O ator faz um personagem meio gagá, cujo bordão – e sua falas não vão muito além disso -  é um antigo “Ora, Senhor!” –  ainda usada à miúde pelo pessoal do Sul para indicar uma certa impaciência.
Mas, Passione deixa uma dúvida para quem passa algum tempo diante da telinha, entre a sua abertura e o seu encerramento com uma fantástica instalação de Vik Muniz sobre sua matéria-prima predileta, o lixo, hoje chamado de “resíduos sólidos”.

Assistindo os vôos rasantes da história passada, até o momento, entre a Toscana e a Avenida Paulista, é difícil não se perguntar se, afinal, aquilo é uma chanchada dramática ou um drama que está virando chanchada?

Só aceitando os clichês que as telenovelas ganharam ao longo do tempo, sendo comparadas à situações absurdas, mal explicadas e intermináveis é possível engolir as pílulas diárias no horário das nove. É claro, vê quem quer. Mas já era o tempo em que intelectual não ia à praia (como dizia Paulo Francis) e nem via TV - imagine novelas. Hoje, o gênero é discutido em todos os fóruns, como entretenimento e agente social.

Mas se sobra enredo e agilidade na construção de um clímax atrás do outro, ou seja, não há aquela “encheção de saco” das novelas tradicionais, a falta de verossimelhança faz da história uma ode à banalidade.

Só resta perdoar a facilidade com que segredos são revelados, personagens viram a casaca, problemas são resolvidos, acionistas de uma grande empresa são engabelados e coincidências são impostas à uma cidade complexa como São Paulo. E, entre uma rara emoção e outra, pegar carona em outra expressão macarrônica do protagonista italiano Totó (Tony Ramos):  - Punto e basta!