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Resenha

Metáfora do fingidor

por Rosane Pavam publicado 31/01/2011 16h41, última modificação 31/01/2011 17h48
Com 'Onde Foi Parar Nosso Tempo?', o jornalista Alberto Villas gosta de contar como o mundo foi. Ele é um historiador, mas também um fingidor.

O tempo é uma distinção arbitrária. Por isso, constitui perda de tempo discutir por que o tempo se vai. Ele só muda a partir dos olhos de quem o observa. Dizemos com muita segurança que o tempo destrói. Mas o tempo, como o futebol, é uma desculpa, uma metáfora para relatar o que somos. Ou, como no caso deste livro, o que destruímos.

O jornalista Alberto Villas gosta de contar como o mundo foi. Ele é um historiador, mas também um fingidor. Finge tão completamente que o passado vale a pena que julgamos importante revivê-lo como um marco, nesta edição de simpático design. Era melhor antes, quando escrevíamos cartas? Ou quando um prego posava de imprescindível para liberar o azeite? Nem melhor nem pior.

O interessante é que esta obra mal nos ajudará a reviver o passado. Ela apenas nos fará entender o que Villas pensava dele, porque assim são os livros de verdadeiro autor.

ONDE FOI PARAR NOSSO TEMPO?
Alberto Villas
Globo, 224 págs., R$ 34,90